domingo, 4 de março de 2012

AS VÁRIAS PERSONAS DO HOMEM CONTEMPORÂNEO
                            “E agora, José? 
                                                          A festa acabou, 
                                                          a luz apagou, 
                                                          o povo sumiu, 
                              a noite esfriou, 
                              e agora, José? 
                              e agora, você? (...)”

 José Carlos Drummond de Andrade 

 As máscaras estão presentes em diferentes culturas, são utilizadas em diversas ocasiões e têm inúmeras finalidades. Na Grécia, os atores utilizavam máscaras para interpretarem um personagem, tais enfeites eram denominados personas. Sua função era dar ao ator a aparência que o papel exigia. Em Veneza, a nobreza fazia uso das máscaras para se disfarçar e se misturar ao povo durante as festividades. O carnaval moderno, cheio de cores, desfiles e fantasias, foi inspirado nas festas da sociedade vitoriana. Em Mariana, muitas pessoas se enfeitam com máscaras alegres e coloridas para brincarem em meio à folia. Ao usar uma máscara, cria-se um ambiente fantasioso, o apetrecho esconde a verdadeira face e permite que as pessoas encarnem diferentes personagens. O grande problema é que muitas pessoas estão sempre mascaradas, e o mais perigoso é que elas não fazem uso de nenhum enfeite ou objeto, fazem isso com a cara limpa. Para muitos brasileiros, o ano começa depois da folia carnavalesca. A verdade é que o carnaval já acabou. Ainda é tempo de parar, de refletir e principalmente de tirar as máscaras para encarar a vida com responsabilidade, seriedade e com a cara lavada. Vivemos em um cenário de trocas de prefeitos, no dia 15 de fevereiro, a população da cidade presenciou a posse do quinto prefeito desde o pleito de 2008. Os políticos deveriam deixar suas rixas e rivalidades de lado e investirem mais no bem estar da população e da cidade. Os cidadãos devem cumprir o seu papel, devem refletir sobre o que está sendo feito na histórica Mariana, que apesar de ter uma memória cultural e arquitetônica viva, convive com uma situação lastimável há alguns anos. Gostaria que algumas questões, que estão em pauta no cenário político atual, fossem respondidas. Quando vão enterrar essa ideologia tradicionalista de esquerda e direita? Quando os políticos que desfilam pela prefeitura vão parar seus tratores? A população marianense traz nas suas bandeiras a desesperança em uma cidade que anda tão desvalorizada e desmoralizada por personas, que desfilam pela vida pública; clama por esperança e precisa de políticos que priorizem o enriquecimento urbano, social e econômico de Mariana. 
Jaqueline Antunes 
Pedagoga e professora da Rede Pública Estadual de Mariana.

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