sexta-feira, 29 de junho de 2012

O POETA IMAGINÁRIO


Texto publicado no Jornal  O TEMPO DOS INCONFIDENTES em 27 de junho de 2012



Saio por Mariana, mais uma vez, avistando os detalhes da minha vida diária. Olho o patrimônio humano e subo a ladeira que vai para a Rua Nova, cantando baixinho o Hino de Mariana:“No seio dolente das idas idades. Em meio ao silêncio(...)”
 Paro de cantar e ouso imaginar como Alphonsus de Guimaraens, compositor do Hino de Mariana, se sentiria ao ver a cidade hoje, em um futuro que ele não previu. Ou será que previu?
Imagino-o sentado nas escadas da Igreja Nossa Senhora do Carmo, pedindo a virgem que proteja a cidade. Ele ouve as conversas dos políticos. Eles querem contemplar a coroa do poder no ano eleitoral, em que serão escolhidos o prefeito, o vice-prefeito e os vereadores.
 Alphonsus, subindo a escadaria da Câmara, senta e analisa as palavras de cada membro do executivo que ali se encontra. Ele desce a rua, segue até a sede da banda, ouve a melodia afinada da Quinze de Novembro e alivia sua alma ao escutar o Hino de Mariana.
 Alphonsus vai em direção à Ponte Alphonsus de Guimaraens ou Ponte de Tábuas, hoje, em total descaso. Encosta-se no parapeito da ponte envelhecida e abandonada e fixa seus olhos no rio.
 Ribeirão do Carmo, que participou da história gloriosa desta cidade, corre agora repleto de lixo, abandonado. Barraquinhas amontoadas em sua encosta descaracterizam o cenário da cidade histórica. O rio desce triste e sujo, levando a ideologia primitiva dos grupos políticos que acompanham e decidem a história de Mariana.
 Ele que compôs o hino da cidade, interpretando os cenários históricos de Mariana, vê em seu leito tantos equívocos na vida política e civil do munícipio.
 Existem, na sociedade civil de Mariana, grupos fechados que não deixam outras pessoas participarem, impedindo a circulação de outros ares, de novas idéias. Eles não deixam O OUTRO chegar.
Os sujeitos destes grupos só conjugam o verbo na primeira pessoa do singular – eu quero, eu vou, eu posso – e continuam como a mesma ladainha, neste vai e vem de individualidade que corta o fio da meada, que poda a coletividade, o respeito mútuo e o bem comum.
Eu volto à paisagem que criei com a presença do poeta. Olho para Alphonsus que contempla a cidade com um olhar de lástima, sorrio desapontada e ele pergunta-me:
  – Será que as eleições de outubro de 2012 mudarão o cenário político desta cidade? Será que os novos rostos do poder continuarão privilegiando os interesses de poucos?
O Alphonsus imaginário termina a sua interrogação, sai a passos lentos sem olhar para trás, segue as montanhas do Cruzeiro e desaparece como num clarão.
Olho para à frente e sigo o meu caminho. Vou viver a rotina de todo trabalhador brasileiro que tem casa, família, contas para pagar e que se indigna com os problemas do país, mas sabe que o voto pode ser o grito de libertação do sujeito oprimido, que caminha pelas ruas do Brasil.

Jacqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

DEIXE A DELICADEZA CHEGAR


Na semana que passou, vivenciei uma cena que me tocou ao ponto de estar aqui, debruçada em temas tão complexos: A AGRESSIVIDADE versus A DELICADEZA.
Eu caminhava, depois de sair da escola onde trabalho, quando me deparei com um adolescente, de aproximadamente 11 anos, agredindo uma garota com um tapa na face. Interrompi a minha caminhada, senti um estranhamento ao vê-la sorrindo, como se aquele ato de agressividade não tivesse provocado-lhe nenhum mal-estar.
Aproximei-me, dei-lhe um beijo no rosto e trocamos um olhar de cumplicidade. Eu conhecia aquela menina e sua graciosidade. Saí pensando que fatos como esses não são isolados, pelo contrário, tornam-se cada vez mais frequentes. Condutas agressivas entre adolescentes e jovens é o começo do caminho para dramas maiores, que são as cenas de mortes.
A banalização da violência fica evidente nos relacionamentos entre jovens e adolescentes, deixando-nos sem defesa diante do terror que se instala na sociedade pós-moderna. As raízes deste fenômeno estão associadas ao contexto histórico, social, cultural e político em que se insere esta sociedade.
A violência está muito presente em nossas vidas. Diariamente nos deparamos com imagens que apresentam atos de crueldade, transmitidas pelos jornais, pelas revistas, pela TV e pela internet. Ela está presente na crueldade das pessoas, nas palavras rudes e indelicadas, no tráfico de drogas, na impunidade, na exclusão social; é como bala que mata a poesia do amor.
A mídia, sempre, coloca a violência em pauta, muitas vezes, de modo errôneo; o que é um grande complicador, afinal, ela é um ponto de referência para a nossa sociedade. A mídia deveria enfatizar a paz, a justiça, os valores, a delicadeza, que são fundamentais para o desenvolvimento do homem no meio social.
A violência é inerente ao homem, portanto, devemos encontrar formas construtivas para canalizar a agressividade, precisamos lançar mão da delicadeza, que é um ingrediente importante para a relação humana no mundo pós-moderno.
 Vários poetas declamaram sobre a delicadeza e o amor. Vinicius, o poetinha, escreveu: “de tudo, ao meu amor serei atento”, Francisco de Assis fez a prece:“onde houver ódio que eu leve o amor. Onde houver ofensa que eu leve o perdão(...)” e Paulo, na Bíblia, nos mostrou o caminho para a delicadeza, quando profetizou:“ainda que eu fale todas as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor sou como o bronze que soa ou o sino que retine(...)”.
Busquemos a delicadeza e o amor, peças fundamentais para nutrirmos uma boa convivência. O poeta Fernando Pessoas, que fez aniversário dia 13 de junho, revela-nos um grande segredo ao escrever: “enquanto não superamos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”

Jacqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.

terça-feira, 19 de junho de 2012

MATANDO O TEMPO


Tempo
Tempo
Tempo.
É tempo de delicadeza
De bom dia
Olhe nos olhos
Cale a violência
E o amor, como fica?
Este, não se explica.

Jacqueline Antunes

QUADRILHA NO MEU CORAÇÃO


Meu vestido de chita 
Com detalhes de fitas
Subo o morro da cidadezinha
Chego ao adro da capelinha 
Tem muita luz
Canjica e quentão
Recebo um bilhete do pombo correio
Era você querendo me namorar
Fiquei vermelha de timidez
Quando você pegou na minha mão
Fomos dançar a dança das fitas
Enrolei numa fita vermelha
O amor aqueceu meu corpo inteiro.
Era você no meu canteiro.

Jacqueline Antunes

segunda-feira, 18 de junho de 2012

CHEGA DE VIOLÊNCIA -LEIA UM LIVRO










Aconteceu, na noite de ontem, dia 17 de junho, o encontro dos poetas Aldravistas, Gabriel Bicalho, Andréia Donadon, J.S. Ferreira, J.B. Donadon Leal e da educadora Jacqueline Antunes (com seu filho Bernardo Antunes). O grupo distribui livros e exemplares do jornal Aldrava para jovens e freqüentadores da praça Gomes Freire. 








quinta-feira, 14 de junho de 2012

CIDADES IRMÃS


Escrevo hoje, caro leitor, sobre duas irmãs poderosas e vizinhas, que moram uma pertinho da outra. Elas são diferentes, cada qual com suas características singulares, mas trazem do berço a mesma fonte, uma história similar. Mariana e Ouro Preto nasceram da mesma causa, foram descobertas por bandeirantes, homens que vieram de terras longínquas para descobrir o ouro das Minas Gerais.
Descreverei cada uma delas, nesse curto espaço, em um pedaço medido de papel, o que é bem complicado, pois cada uma tem sua história, seus segredos, sua magia e como é de praxe em toda família, cada irmã segue o seu caminho.
 Mariana foi a primeira Vila, primeira Capital, primeira cidade projetada e sede do Bispado. A cidade é composta de um cenário requintado com construções do barroco mineiro rodeadas pelas montanhas que recortam a paisagem, onde a terra se aproxima do céu.
Tenho o costume de sair por Mariana, cidade onde eu vivo, com o olhar de turista, que se enche de encanto a cada canto da cidade.
Na Alfaiataria do Chiquinho, paro, ouço-o tocar com saxofone a minha música. Ele olha-me calado e toca a Ave Maria. Continuo a caminhada, passo pela Igreja da Sé e escuto o órgão ArpSchnitger. Saio, caminho pela Praça iluminada pelo clarão da lua e escuto os músicos, que tocam um samba. Retorno para casa alimentada de cultura.
Mariana é uma cidade singela, repleta de sacadas, de praças e de casarões. Pessoas de todos os cantos do mundo se encontram neste espaço e comungam a cultura, a arte e a diversidade deste ponto peculiar do país.
Ouro Preto, cidade onde nasci, é imponente, é um museu a céu aberto, um templo da cultura mineira cheio de riquezas construídas ao longo do tempo. A cidade é composta de ruelas estreitas, cantos nos pés de moleques, por onde passamos tem festa, brinde e música. A religiosidade é forte, os caminhos são estreitos nas ladeiras íngremes e a fé permeia todos os pontos.
Ouro Preto me remete aos sonhos não vividos. Lembro-me de Marília de Dirceu, na ponte, a esperar seu amado, Dirceu, nas madrugadas frias de junho. Quando eu passo pela Ponte de Antônio Dias, conhecida, também, por Ponte dos Suspiros ou Ponte da Marília, ouço as vozes da amada de Dirceu, que ainda suplica pelo amado. Na data que antecede o dia dos namorados, ficam mais profundos os clamores da musa.
Ouro Preto, berço da humanidade, repleta de cantos, lamentos, histórias bem e mal contadas, como a Inconfidência Mineira. A cidade recebe turistas, estudantes, que contemplam a vida, a arte e a cultura.Tudo é jazz, é samba, é arte barroca e arte mineira.
Deixo aqui, um pouco da vida e da história de cada irmã. Cidades recostadas que revivem o passado e vivem o presente, no recanto de Minas Gerais.
Apenas, pincelei um pouco da história das cidades de Ouro Preto e Mariana. Eu não me atrevo ir tão fundo na intimidade destas duas preciosidades. Minha mão não ousa continuar com este cochicho, finalizarei com algumas palavras de Guimarães Rosa:
“(...) Minas geratriz, a do ouro, que evoca e informa, e que lhe tinge o nome; a primeira a povoar-se e a ter nacional e universal presença, surgida dos arraiais de acampar dos bandeirantes e dos arruados de fixação do reinol, em capitania e província que, de golpe, no Setecentos, se proveu de gente vinda em multidão de todas as regiões vivas do país, mas que, por conta do ouro e dos diamantes, por prolongado tempo se ligou diretamente à Metrópole de além-mar, como que através de especial tubuladura, fluindo apartada do Brasil restante. [...]”Guimarães Rosa – Ai está Minas: a mineiridade.



Jaqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

RELAÇÕES HUMANAS



O mês de junho desponta no horizonte, ameaçando trazer o inverno como a nova estação do ano. Fico tentando imaginar a palavra “frio” nas relações humanas e meus pensamentos me conduzem ao âmbito da educação.
A escola, com certeza, é uma instituição que mudou, muito pouco, desde o seu surgimento. A sua estrutura permanece, praticamente, a mesma no que diz respeito à arquitetura dos prédios, à organização das salas e à relação entre professor e aluno.
Vivemos na era da informação, lidamos com sujeitos que têm acesso às diversas tecnologias da informação e que estão conectados com o mundo, através das redes sociais. Os professores, na maioria das vezes, não estão preparados para lidar com o turbilhão de fatos, de notícias e de ideias que a meninada traz na bagagem.
Nós, profissionais da educação, precisamos trocar nossas lentes e atualizarmos a nossa visão de mundo. Devemos considerar todo o conhecimento que as crianças apresentam, precisarmos despertar os seus interesses para transmitirmos cultura, por exemplo, através da arte. A arte humaniza o homem, amplia o seu olhar, fazendo-o enxergar o mundo de uma forma crítica e singular.
A educação não é, apenas, papel da escola. Ela é papel da escola, sim, mas, também, é função da família e da sociedade, que devem unir suas forças para formar cidadãos. Um Brasil marcado por uma história vexaminosa, onde, as pessoas que estão no poder não trabalham em prol da democracia, de uma vida justa e digna para todos, não visam o bem comum.
Nossas mídias impõem o sistema capitalista, ditam os padrões de “beleza”, divulgam músicas banais, que denigrem os nossos valores e acabam perdendo sua função de bem informar, de difundir cultura e de educar; elas se preocupam apenas com o valor comercial das coisas.
Nesse ponto estratégico do meu discurso, lanço questões que finalizarão a minha composição. Será que nós, pais, estamos perturbados com a chegada frenética de informações e tecnologias, com "as novidades do século XXI” e por ser mais fácil educar, damos aos nossos filhos, por exemplo, o celular mais caro e mais moderno que aparece no mercado para tentarmos suprir a falta de uma relação mais próxima, mais afetiva.
Será mais fácil, suarmos a camisa no trabalho para suprirmos mais um desejo supérfluo dos nossos filhos, do que ensinarmos para eles preceitos que lhes valerão para toda a vida. Se comprarmos um novo equipamento tecnológico para nossos filhos, amanhã, ele já estará ultrapassado; mas, se compartilharmos o que aprendemos durante a nossa vivência, eles se tornarão pessoas mais bem preparadas para viver em sociedade. 
Espero que o frio do mês de junho traga o agasalho que aqueça as relações entre filhos e pais, entre alunos e professores, enfim, entre as pessoas que vivem em sociedade, para que todos partilhem, verdadeiramente, o pão da vida, como ingrediente básico para a paz e o respeito mútuo.

Jaqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

DIA NACIONAL DO DESAFIO - 31 DE MAIO

Eta desafio perigoso!
Esse de viver cada minuto
Viver que digo é viver...
De alma
Corpo e alma
Ficar nu
Deixar a vida te despir!
Sentir a nudez...
Ver toda sua roupa caída no chão 
Não fazer nada
Absolutamente
Nada.
O vento renova sua pele
Você sobrevive
As intempéries
Esse é desafio
Eta desafio!
Danado de bom.

Jacqueline Antunes

sexta-feira, 1 de junho de 2012

VIDA PASSADA A LIMPO


Folhas
Muitas folhas 
Voam no tapete
Uma fica
no meu colo.
Uma 
só uma
Lápis na mão
Passo a vida a limpo.
Silencio
O sono chegou,
venci
o inimigo invisível!
Posso dormir como passarinho.


Jacqueline Antunes


SEXTA-FEIRA





Sexta-feira!

Abro um vinho.

Tomo esse liquido vermelho.
Vermelha minha face.
A Cor vermelha do amor.
Meu amor pela literatura é grande!
Abro meu livro
Começo minha conversa
De Sexta-feira a noite!!!!!
Hum, Papo bom.
Dialogo de verdade!
Um jazz 
Madrugada adentro
Estou abastecida!
Nada me falta.
Adeus!