SOU
UMA CIDADÃ QUE USA O TRANSPORTE COLETIVO DE MARIANA, PEÇO RESPEITO!
Sou uma cidadã que usa
diariamente o transporte coletivo da cidade de Mariana.
Esta semana, resolvi ir
ao centro da cidade, usando o transporte coletivo linha Ouro Preto – Mariana.
Houve um estranhamento meu quanto à delicadeza do motorista, que me esperou
sentar antes de arrancar o ônibus. Pensei que, realmente, eu começava um bom
dia, afinal, além da cordialidade já mencionada, o meu bom dia foi
correspondido. Já que, esse tipo de tratamento não
acontece, frequentemente, nas linhas que circulam o centro de Mariana.
Há muito, passo por
situações que desnorteiam qualquer cidadão, que conhece os preceitos da ética e
da cidadania. Sempre penso em escrever sobre as diversas situações
desconcertantes que eu já vivi na linha que circula no centro da cidade de
Mariana. Eu não estou dramatizando e, nem mesmo, sou adepta a escrever sobre
histórias que deixam os leitores mais desacreditados do que já estão, devido
aos diversos problemas políticos que estão vivendo.
Estamos vivendo tempos difíceis, em que as
políticas públicas não estão atendendo às necessidades da população e em que
vivemos à mercê do abuso de poder, por exemplo, de donos de uma empresa que
monopoliza o transporte público na região. Sem mencionar o despreparo dos
funcionários que trabalham nas empresas de transporte coletivo, no que diz
respeito ao trato com público.
O transporte público deve
atender a todos, adultos, crianças, jovens, deficientes e idosos e os
funcionários devem estar aptos a atendê-los.Vivenciei inúmeras situações que
comprovam que há muita coisa que precisa melhorar, principalmente com relação
ao atendimento. Já presenciei situações em que o motorista arrancou o ônibus
antes que mulheres com crianças e idosos tivessem se sentado, em que o
motorista prendeu passageiros na porta e várias outras atitudes de desrespeito
com o cidadão.
O mais chocante é que,
diante deste tipo de situação desastrosa, ninguém fala nada, as pessoas não
questionam, não reclamam os seus direitos. O brasileiro faz festa, canta o
samba, vibra no estádio de futebol, mas cala diante da injustiça,do desrespeito
e deixa de reivindicar seus direitos.
O silêncio dos oprimidos, o
silêncio da insatisfação política, o silêncio que, hoje, ainda continua
estampado nas atitudes do povo brasileiro, que se cala nas ruas, nas urnas, nos
pés de moleque da cidade de Mariana. Povo que esquece que a constituição lhes
confere direitos que devem ser respeitados e que lhes são garantidos por lei.
Lembrei-me do eterno
escritor de literatura brasileira, o mineiro Bartolomeu Campos de Queiroz,
quando sugeriu, no seu livro Correspondência, que algumas palavras precisam ser
“acordadas” e outras deveriam ser “adormecidas” para sempre. Ele escreveu que
“as palavras quando bem escolhidas se tornam verdadeiros presentes”. Pensando
no livro Correspondência, deixo neste papel algumas palavras que deveriam ser
adormecidas: fome, opressão, violência, injustiça, desrespeito e proponho que
outras sejam acordadas como: liberdade, solidariedade, igualdade, respeito.
Que essas palavras sejam
verdadeiramente acordadas e venham em direção às montanhas de Mariana, que como
foi declamado por Henriqueta Lisboa, contem seus segredos para os sinos para
que toda a cidade fique sabendo e que voem até os envolvidos na administração
do transporte coletivo que circula no centro da cidade. Oxalá!
Jacqueline
Antunes
Pedagoga e
professora da
Rede Pública Estadual de
Mariana.