terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Surpresa pouca foi bobagem

Nos últimos dias a mídia trouxe novamente o tema Biografia. Quem faz parte agora desse palco de críticas foram os artistas que participaram de uma época de censura do Brasil, vivendo na própria pele as perseguições e atrocidades que essa promovia, corpo a corpo, mente a mente, àqueles que tinham coragem de desafiá-la. Estão estampados nos jornais, revistas, telas e redes sociais de forma diferente de outros tempos. Cantavam, compunham músicas com trechos como "é proibido proibir".

Artistas do grupo Procure Saber, formado pelos artistas como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Chico Buarque. O grupo é liderado pela empresária Paula Lavignia que defende a manutenção dos artigos 20 e 21 do Código Civil. Esses artigos proíbem a divulgação de informações pessoais a qualquer cidadão, "Em caso de atingirem a honra, a boa fama, ou a respeitabilidade ou se destinarem a fins comerciais”.  Essa discussão causou grande estranhamento em pessoas que tinham esses artistas como a voz da rebeldia, e que fizeram história no movimento forte de liberdade de imprensa no pais. Essa conversa de biografia no Brasil não andava em silêncio, mas gritou ao ver artistas como Chico, Milton...

Comecei o texto falando de contradições... Em meio a controvérsias... Em semanas de censuras, biografias, vida privada, vida pública. Entre julgamentos, polêmicas, escândalos e surpresas... Vou ficando por aqui, Caro Leitor.

A vida do outro é propriedade alheia... Biografia de pessoas públicas no meio literário é prato feito para o Leitor Brasileiro. Quem quer ter o direito velado na sua biografia, mesmo dando dado as caras, compondo letras de músicas e cantando canções que rebelaram contra ideologias retrógradas de uma época e agora pede um conhecimento prévio de quem escreve sua vida...
Guardo meu dedo apontado para quem quer que seja e com ele escrevo a minha própria vida. Vamos ver as cenas dos próximos capítulos da biografia no Brasil. Ainda há muito que caminhar essa história... dessa história.

Agora, que o ser humano vive de contradições isso lá vive... Controvérsias a parte, o mundo anda, pra frente, para trás, acelera e dá marcha ré.

E pelas bandas de cá, nessa velha e boa Mariana, teço a minha vida e aguardo boas novas da biografia no Brasil.

Como escreveu o poetinha, Vinícius de Moraes, que completaria cem anos de vida nesse último final de semana: Oxalá as biografias no mundo literário desse pais...

Bem-vindas as mudanças de opiniões. Espero, sinceramente, que não estejamos compreendendo mau a oratória desses artistas que são tão admirados pela voz do povo brasileiro... Ou que eles tragam outros ventos, outras vozes com tom de liberdade no universo cultural brasileiro...



Jaqueline Antunes
Professora e Pedagoga

É NATAL...



Natal batendo à porta e eu e meu filho preparamos a Árvore. Ele, menino curioso com suas perguntas embaraçosas, questiona: _Mãe, se no Natal se comemora é o nascimento de Jesus porque quem ganha presente somos nós?
É um alivio ouvir essa reflexão em dias que a vida está priorizando demais o consumo e agora no Natal isso fica mais evidente.
E o comércio está com suas portas abertas. O consumidor, desesperado com tanto brilho, entra frenético nas lojas para as compras natalinas, comprando uma variedade de produtos com seu cartão crédito, grande facilitador das compras dos brasileiros, e assim, também de reforço, evapora o décimo terceiro salário; quando o brasileiro fica endividado.
E as contradições seguem a data Natalina: em um país tropical como o Brasil, as árvores artificiais compondo mais para um cenário europeu; o brasileiro consumindo produtos importados em um verão natalino enfeitado de neve.
Natal é uma celebração cristã que comemora o Nascimento de Cristo. Pelo que conta a história, tudo muito diferente do que vemos no comércio e na mídia nesses tempos. Jesus nasceu numa manjedoura, um ambiente rústico e simples, em meio à natureza, rodeado de animais... Comemorar fora das convenções que o capitalismo nos impõe pode livrar muita gente de infartos, câncer, A.V.C., nessa vida estressada que levamos na lógica do Capital.
A natureza nos brinda, a cada dia, com uma nova possibilidade; para que tenhamos chance de escrevermos uma nova história. Mesmo matando vários leões por dia, vivendo entre luzes e trevas, vale à pena escolher viver com qualidade. Viver a vida, que é o contrário da morte. A morte (existencial) é uma estratégia cômoda: o cara deita e pronto, morreu. Vida é função trabalhosa... Mas será que nesse palco da vida precisamos mesmo daquilo que “construímos” a partir do dinheiro, da imagem, para sermos felizes? Será isso viver de ilusões?  Ilusões, paga-se caro por elas. Já sonhos, não. Viver com sonhos é viver impulsionado a realizar projetos... Eu por exemplo, sonho com um país que tenha como porto seguro a Educação. Ela muda e desperta transformações substanciais: educação, lazer, cultura, segurança, saúde, pão para todos... E que sejamos simples nas ações de cada dia, vivendo com humildade. Sonhos sempre, mas com pés no chão.


Jacqueline Antunes
Professora e Pedagoga