Caro
Leitor, no dia 8 de Março foi comemorado o dia Internacional da Mulher.
No
primeiro parágrafo, nota-se que a linguagem privilegia o sexo masculino. Eu
poderia ter começado o texto com Caras Leitoras (... e coloque caras
nisso, são as mulheres que procriaram cada homem que faz parte desse planeta),
mas o machismo nosso de cada dia reforça o poder da palavra a favor do
gênero masculino.
E esse
resiste, perpetuando pela história, com garras e dentes, dando as mãos a um
coral de vozes (infelizmente, muitas femininas), clamando amém. Quando por
exemplo, usamos o termo "O Homem" para indicar o ser humano, já é uma
concepção machista de linguagem. O gênero imperador do mundo pós moderno
continua sendo o homem.
A mulher
carrega pela história afora estereótipos negativos e ainda são castigadas pelo
poder da sedução: encontramos desde Eva, Maria Madalena, Pandora e hoje Vadias
e Piriguetes.
Mulher é
Deusa, bela, fera, reluzente... mata 10 leões por dia na vida, na lida, na
família. Mulher rasga o verbo, valoriza a seda, veste a calça e o salto...
desce do salto, revela, rebela, é doce, fel, sol, lua, mar, rio.Veste a roupa
que quer e não é vadia por isso.
Não toque
na mulher, meu Caro José ou João, Vicente, Clemente ou Tenente, porque com seu
machismo, você vai encontrar com a Maria da Penha na prisão.
Rasgando
verbo e desfilando em sedas, porque faço parte delas, graças a Deus, peço aos
céus, que a violência e a humilhação contra as mulheres na História tenha um
ponto final, e que essas sejam reconhecidas e respeitadas efetivamente nos
lares, no trabalho, nas ruas, na vida.
Oxalá,
minha mãe.
Jacqueline Antunes