domingo, 29 de julho de 2012

E AGORA, CIDADÃO ELEITOR?


Levei uma turma de alunos para fazer um passeio pelas ruas, museus e praças, com o objetivo de apreciarmos o cenário artístico e cultural de Mariana. Estudamos um pouco sobre a arte do escultor Aleijadinho e dos demais artistas que contribuíram para a história da cidade, fizemos um panorama do passado até a contemporaneidade.
 As crianças ficaram encantadas por trabalharmos os conhecimentos através de uma aula in loco. Uma atividade que possibilitou aos alunos o desenvolvimento de um olhar crítico diante da realidade em que vivem. Durante o percurso os alunos ressaltaram a necessidade de se preservar o casario e as praças. Eles perceberam, em diversos pontos, o descaso em relação à preservação do conjunto arquitetônico da cidade.
Findadas as atividades, voltei para minha casa e comecei a pensar no estado de degradação do patrimônio de Mariana: casarões correndo risco de desabarem, igrejas repletas de rachaduras, monumentos destruídos por vândalos, dentre outros tantos problemas.
Caro leitor, não podemos mais fugir de uma questão tão importante no nosso cotidiano. Precisamos, com astúcia, observar as ideologias e ações de todos os candidatos que fazem política na cidade. Analisar cada candidato, ponderando seu histórico de vida pública, confirmando sua legitimidade, sua ética e sua moral.
 Passo anos a fio, ouvindo as críticas dos sujeitos nas ruas, no trabalho, nas praças e as suas insatisfações em relação aos que estão no poder público. O ano eleitoral é o momento de modificar a situação através do voto consciente. Ou será que vou continuar a ouvir a lamúria eterna de que não temos o governo que merecemos?
Devemos nos questionar: O que vamos fazer neste importante momento em que as eleições e os políticos batem em nossas portas? Onde ficam as nossas insatisfações com os candidatos que caminham pela vida pública?
Nas urnas, o oprimido, o insatisfeito e o injustiçado têm voz e poder para reverter a situação da educação desvalorizada, da saúde precária, dos monumentos urbanos depredados e que não são restaurados.
E agora, caro eleitor? O que fará com seu voto?
No período eleitoral, precisamos de um pouco de esclarecimento, de uma dose de consciência política e de uma boa pitada de compromisso, só assim, contribuiremos para a realização de uma prática de paz e bem-estar na cidade de Mariana. O futuro da cidade é de responsabilidade de cada um de nós, eleitores. Espero que este ano seja o tempo das transformações para que, quando eu voltar a fazer um passeio cultural com as crianças, elas possam fotografar uma nova realidade. Oxalá!

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.

Publicado Jornal - O Tempo dos Inconfidentes 26-07-2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

Cortejo com canções e poemas sobre Liberdade: LIBERTAS QUE SERÁ TAMEM

Cortejo coordenado pela professora Hebe Maria Rola Santos com participação da professora Jacqueline Antunes, declamando poemas.












Programação do Festival de Inverno de Mariana e Ouro Preto no ultimo domingo, saindo da Casa de Cultura até a praça Gomes Freire.





Fotos de Lídia Ferreira



quarta-feira, 18 de julho de 2012

O BANQUETE FOI OFERECIDO PARA POUCOS



Hoje, eu acordei com um espírito diferente, com o ânimo renovado para comemorar o aniversário da cidade onde resido. Mariana comemora 316 anos de história no coração das Minas Gerais. O dia amanheceu cinzento e frio. Rezei para a Virgem do Carmo, padroeira da cidade, rogando proteção ao Município.
Participodas comemorações dos aniversários de Mariana desde a minha infância. Morei, durante anos, na Rua Dom Silveiro, cresci e brinquei no largo que ostenta a Igreja São Francisco, a Igreja Nossa Senhora do Carmo, a Câmara e um Pelourinho situado ao centro deste belo cenário que é a Praça Minas Gerais. Lembro-me, perfeitamente, de como a cidade era preparada para as festividades, de como as pessoas compravam roupas novas e se arrumavam para a grande celebração.
Neste ano, eu e muitos moradores caminhávamos em coro para comemorar o aniversário da cidade. Qual foi o presente de grego que ganhamos no momento da grande festa? Cidadãos de Mariana, que pagam os impostos e que movimentam a economia da cidade, foram barrados na entrada do evento.
Como os anfitriões da festa não podem compartilhar o banquete com os seus convidados?Ficamos parados, em pé na ladeira, perplexos com o fato de só nos restarem as migalhas que caíam dos pratos daqueles que saboreavam a ceia, daqueles que se achavam privilegiados por terem sido selecionados para a festa.
Caro leitor, é indiscutível a indignação de muitos que ficaram fora da festa.A maioria das pessoas que foram barradas são cidadãs que constroem suas vidas,diariamente, nas ruas de Mariana, trabalhando em prol da educação, da saúde, do comércio, da arte e da cultura.
Recebi de um amigo uma credencial para que pudesse apreciar a grande ceia. Eu, polidamente, recusei. Preferi ficar com a população desconsolada por ter sido excluída do evento. Remeto-me a música do grande poeta Cazuza: “Não me convidaram para esta festa pobre que os homens armaram para me convencer(...)”.
Lamento pelo que aconteceu na cidade onde fui criada, onde eu crio os meus filhos e onde eu sou educadora. Mariana presenciou um episódio de grande desrespeito ao cidadão. Recordo-me da fábula: A Festa no Céu. A narrativa conta a história de uma festa no céu restrita aos animais que podiam voar. Os outros animais da floresta não puderam comparecer, pois as festividades aconteceram fora do alcance desses animais.
Baseando-me nesta história infantil, deixo em aberto a seguinte questão: Por que somente alguns puderam participar da festa de aniversário de Mariana?

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.

Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes

sexta-feira, 13 de julho de 2012

CIDADE MARAVILHOSA


Viajar através da leitura é uma experiência muito prazerosa. Gosto de ler, juntar as letras e saborear inúmeras histórias em diferentes cenários. Outra experiência fascinante é viajar para outros lugares, vivenciar essa mudança física e apreciar as novas sensações que ela desperta.
Revisitei, recentemente, o Rio de Janeiro. A cidade já é encantadora vista do avião no céu fluminense. Hospedar-me na cidade maravilhosa, sentar-me no banco ao lado da estátua de Carlos Drummond de Andrade, caminhar pela calçada de Copacabana, cenário de pura beleza, são momentos inesquecíveis.

Vinícius de Morais, onde mora? Sua história reside em Ipanema. Sento no calçadão e a cada morena que passa, eu assobio a música e cantarolo: “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa(...)”. Suspiro como se o poetinha estivesse presente e lembro-me que Vinícius de Morais era mestre em escrever sobre a vida, o amor e a alma feminina. 
Pego o metrô e vou em direção ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, considerado um dos mais belos prédios da cidade, um conjunto arquitetônico de grande valor cultural, artístico e histórico. Sigo pela Avenida Rio Branco, que abriga o Museu Nacional de Belas Artes, onde se encontra a maior coleção de arte brasileira do século XIX, além de apresentar obras que contemplam toda história das artes plásticas do Brasil.
Ando poucos passos e chego à Biblioteca Nacional do Brasil, considerada pela Unesco a sétima biblioteca nacional do mundo e a maior biblioteca da América Latina. A tarde surge, entro na Confeitaria Colombo, uma dose refinada de guloseimas, chás, cafés e quitutes. 
Alimentada de corpo e alma, entro no Rio Scenarium- Pavilhão da Cultura, chope gelado, diversidade cultural; pessoas de todos os cantos do mundo encontram-se neste espaço eclético do samba, do choro, do forró, da MPB, da gafieira na noite carioca. Uma mistura de antiquário e casa de shows, instalada em um sobradão no centro histórico do Rio.
Amanhece um novo dia em Copacabana, realçam-se as cores, as formas, os jeitos. A arte na areia encanta-me, paro e converso com Xavier. Ele esculpe castelos e homenageia o Rio com flores brancas da paz, enquanto conta-me as histórias trágicas do Morro da Mangueira. Sorrio, pois reconheço a fé, a religiosidade cravada em seu peito na estampa de São Jorge.
Muitas são as histórias contadas nesse cenário cultural. Drummond que o diga! Ele costumava sentar-se no banco de Copacabana para apreciar o movimento e na mesa número quatro da Biblioteca Nacional para pesquisar a vasta literatura do seu acervo. 
Rio de Janeiro a cada ponto uma arte, a cada monumento uma história. Fico estarrecida com a sua tradição e o seu glamour patrimonial e cultural. Sinto-me lisonjeada em homenagear a primeira cidade do mundo a ser condecorada pela Unesco com o título de Patrimônio Mundial como Paisagem Urbana. Cidade maravilhosa cantada por músicos e poetas. Que o Cristo Redentor continue com os braços abertos para abençoar a todos os brasileiros e o Rio de Janeiro pelo acolhimento e pelos seus encantos.

Jacqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Minas Gerais.



  1. Esse  texto foi publicado no Jornal 
  2. O Tempo dos Inconfidentes