sexta-feira, 30 de novembro de 2012

CIDADÃO, SUBA AS ESCADAS DO PODER


Na semana que passou, fiz uma visita à Câmara Municipal de Mariana e entre votações de projetos e alguns disparos de palavras soltas e ácidas, a voz dos vereadores ecoa na Câmara. O Poder Legislativo Municipal é exercido pela Câmara de vereadores, que em conjunto com o Poder Executivo, forma o governo Municipal, em respeito ao princípio de independência e harmonia dos poderes segundo artigo 2º da Constituição Federal.
É dever dos vereadores fazer uma ponte entre o prefeito e a sociedade civil. Os vereadores elaboram as leis que são competências do município, votam as leis que são propostas pelo Executivo, fiscalizam a atuação do prefeito; devem zelar pelo bom desempenho do Executivo e verificar as prestações dos gastos públicos. Chegou a hora e a vez da sociedade civil empenhar esforços para se fazer presente na Câmara, acompanhando e opinando sobre as propostas, os projetos e as ações que acontecem no município. O cidadão também possui voz e não deve calá-la. Esse movimento precisa ser feito com ética e responsabilidade. Deve-se respeitar às diversas opiniões e priorizar os interesses da coletividade. Não há espaço para o individualismo, para idéias que visem aos interesses dos grupos fechados. Jogos de palavras, acusações, demagogias e discursos contraditórios não resolvem questões e não promovem decisões para o bem comum.
A Democracia surgiu na Grécia Antiga e só, no século XX, passou a ser tida como predominante no mundo. Democracia é um sistema em que as pessoas de um país podem e devem participar da vida política, em que elas possuem liberdade de expressão e manifestam suas opiniões. É quando a vontade da maioria é lei. Será que somos um país que vivencia a democracia? Como será que a democracia acontece no país e no nosso município? Será que pouco mudou e que ainda vivemos em uma sociedade onde o poder é centralizado?
Para haver Democracia, o ESTADO DE DIREITO precisa funcionar e para que isso aconteça, nenhum cidadão comum ou pessoa do poder público deve estar acima da lei. Um país democrático cumpre suas leis. Será que as leis são cumpridas no Brasil e nas montanhas da cidade de Mariana? Conclamemos que se cumpram as leis, pelo exercício da democracia e da cidadania. Não deixo morrer em mim a esperança de que a ética, a verdade e a justiça prevaleçam no poder público e de que a sociedade civil e os governantes alcancem os mesmos objetivos ao transportarem o olhar além dos próprios interesses e vislumbrarem a causa do bem estar coletivo. Assim seja!
Jacqueline Antunes - Professora e Pedagoga

Texto publicado no Jornal O tempo dos Inconfidentes – 28/11/2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

VOCÊ TEM MEDO DE QUE?


Em meio a uma brincadeira na praça, ouço alguém dizer a uma criança: – Você não pode correr sozinha por aí, porque o homem do saco vai lhe pegar.
O medo nos acompanha desde a mais tenra idade, a literatura infantil nos mostra, através dos seus enredos, que podemos superá-lo com coragem e determinação. As histórias colaboram para compreendermos que a vida é uma luta contínua do bem e do mal e que, como na maioria desses clássicos infantis, é possível superar todos os inimigos e percalços que enfrentamos na caminhada diária.
Contar e ouvir histórias infantis são um ato prazeroso, pois alimenta a vida interior das pessoas, fazendo com que a fantasia promova a esperança, minimizando questões que afligem o homem no mais íntimo do seu ser. Sentir medo tem seu lado saudável, a espécie humana não teria sobrevivido aos predadores e aos perigos sem ele. O medo é um mecanismo de alerta que nos fortalece, estabelecendo limites e desenvolvendo mecanismos de defesa.
Será que o medo é imposto? Quando a mãe diz ao filho que se ele “pecar” o homem do saco vem para levá-lo, pode ser considerado um medo “saudável”? Será que o homem do saco não representaria Deus e o saco representaria o inferno? Na história das civilizações existem marcas desse medo, reporto-me aos tempos da Idade Média, quando os homens da igreja exaltavam os princípios cristãos e a necessidade de estarem preparadas para o Juízo Final. O importante para o homem medieval era morrer sem pecado, porque só assim ele iria para o paraíso sem medo, com a alma pura. Os temores pelos fenômenos desconhecidos e incontroláveis eram amenizados pela fé.
Como o homem se apresenta no mundo hoje em relação aos seus medos? Será que o medo não está tomando proporções inadequadas? Somos dotados de humanidade, não somos seres perfeitos, pois cometemos erros e acertos, temos dúvidas e, muitas vezes, somos impedidos de prosseguir pelos nossos temores. Que o homem do saco, que pega a criança para fazer mingau, não ganhe força em proporções descabidas. Que tenhamos coragem e perseverança para enfrentarmos as dificuldades e lutarmos pelos nossos sonhos, para vivermos os dois lados da moeda, a dualidade da vida: o bem e o mal. Eu agradeço aos céus o humano que habita em mim, pois a luz só brilha diante da escuridão.

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes -  20/22/2012 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

VIDA E MORTE


Sábado pela manhã, feriado de Finados, uma chuvinha fina cai na vidraça da minha casa, nessa calmaria, coloco-me a pensar em temas como Vida e Morte. Sabemos que o processo natural da vida é este: nascer, viver e morrer. Pronto, simples e real. Indago como todo homem que saiu da caverna (Remeto-me aqui ao mito da caverna de Platão, que é a exemplificação de como, através da luz da verdade, podemos nos libertar e sair da escuridão.) vive (Será mesmo que saímos da caverna?) questionando e criticando.
Morte, palavra densa. O que é morrer? Morrer é o ponto final, onde tudo acaba? Ou é quando deixo a roupagem carnal e lanço-me à viagem da renovação do espírito no mundo espiritual? Será a morte o misterioso caminho que me leva a desnudar-me ao encontro de mim mesma? Ou será sair das amarras da ignorância e sofrer o absoluto absurdo do conhecimento?
Reporto-me à parábola da Águia que viveu até os 70 anos, mas aos 40, quando se sentiu cansada, com as penas velhas, as unhas longas e fracas para agarrar as suas presas, ela foi para um ninho perto de uma montanha e lá arrancou seu o bico, esperou que crescesse e com ele arrancou as suas unhas, aguardou mais um pouco até que elas crescessem e com suas novas garras retirou suas asas e quando elas renovaram-se saiu para viver mais 30 anos. Na verdade ela viveu um tormentoso e necessário processo de renovação que durou 150 dias. Retirou o que era velho e ultrapassado, renovou-se e saiu pelo mundo forte, leve, graciosa e tolerante; pronta para entender que a vida é feita de alegrias, mas, também, de percalços.
Vida é o contrário da morte? A vida é oportunidade, é como uma folha de papel em branco, onde a cada dia traçamos nossa história. Viver é estar presente, pulsar, respirar; é pele latente nos caminhos da existência; é ser feliz, trabalhar em busca do alimento de cada dia, tropeçar, cair e levantar.
Existem, por aí, sujeitos que não conseguem ver a vida como uma "metamorfose ambulante" e que morrem sem desfrutar dos seus prazeres. A vida não é para ser perfeita e, sim, para ser vivida. Viver a mesmice, pensar que a vida é uma mala pronta que não pode ser desarrumada, não é vida e, sim, morte.
Levante, dance, trabalhe, brinque, ouse, leia, silencie, cale, durma, coma, beba e, quando a morte “bater na sua porta”, que sua vida tenha sido repleta de boas lembranças e que você tenha marcado a história. Bom Feriado de Finados a todos! Vou molhar-me na chuvinha fresca e brincar como criança, pois não sou de ferro para curtir o tédio melancólico de olhar a janela e ver a vida passar sem fazer algo diferente do que faço todo dia.
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 07/11/2012

UM PAPO COM O PROFESSOR


Na semana que passou, comemoramos o dia do professor. Falar de professor no Brasil, muitas vezes, angustia-me, pois eu sei que os governantes e a sociedade em geral não valorizam os profissionais da educação e, principalmente, da educação básica.
Fazendo uma análise da greve que aconteceu ano passado, revivo em minha memória alguns momentos desse doloroso movimento, que durou 112 dias. Na verdade, durou muito mais, pois, depois da greve, foram tirados os direitos estabelecidos e conquistados por nós, profissionais da rede pública estadual de ensino, em uma longa história de conquistas de direitos.
Nós, professores do ensino fundamental, atuamos na base da formação, mediamos o conhecimento em sujeitos que estão constituindo o seu carácter. É na infância que se constrói o despertar para educação de um cidadão que caminhará pelas ruas pensando, criticando, interagindo e contribuindo com a sociedade.
O ensino básico é menosprezado. É preciso valorizar a educação em sua totalidade, desde o ponto em que ela se inicia até chegar às universidades. É função do poder público e do educador desenvolver um ensino de qualidade. Deixemos de lado os paradigmas equivocados. Nós, professores da educação básica, não somos simples cuidadores e muito menos impositores de ideias e detentores do poder.Somos mediadores de conhecimento, devemos estimular o aluno a pensar, a questionar, a elaborar hipóteses e a acreditar em um mundo melhor.
Na última greve, o que me tocou foi, mais uma vez, grupos de “gatos pingados” lutando pelos direitos da educação nos municípios, entregando suas vidas na luta pela educação. Ao ir às assembleias em Belo Horizonte, pude observar que eram poucos os profissionais de educação dos ensinos iniciais que se dedicaram à causa e debruçaram-se sobre seus ideais. Que esperança eu posso passar ao meu aluno se eu não acredito na profissão que escolhi?
Junto-me àqueles que acreditam na educação, que vão à luta, que constantemente aperfeiçoam-se, capacitam-se, apropriam-se de cultura através de bons filmes, bons livros, boa música e estão antenados aos conhecimentos que perpassam a sociedade,só assim, teremos condições de sermos profissionais com visão de mundo.
Sei que esse texto está parecendo um puxão na orelha do profissional da educação no mês em que é comemorado o seu dia. Só estou tentando quebrar paradigmas negativos que não impulsionam o professor à sua grande causa: ser educador.
Sejamos compromissados com nossa vida profissional, busquemos nossos direitos e façamos valer o nosso dever de educadores. Quem sabe assim, juntos em uma classe unida e fortificada, cumpriremos o nosso papel perante a sociedade na formação de cidadãos conscientes e atuantes. É nos valorizando que seremos valorizados.

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no jornal O Tempo dos Inconfidentes - 22/10/2012