quarta-feira, 18 de julho de 2012

O BANQUETE FOI OFERECIDO PARA POUCOS



Hoje, eu acordei com um espírito diferente, com o ânimo renovado para comemorar o aniversário da cidade onde resido. Mariana comemora 316 anos de história no coração das Minas Gerais. O dia amanheceu cinzento e frio. Rezei para a Virgem do Carmo, padroeira da cidade, rogando proteção ao Município.
Participodas comemorações dos aniversários de Mariana desde a minha infância. Morei, durante anos, na Rua Dom Silveiro, cresci e brinquei no largo que ostenta a Igreja São Francisco, a Igreja Nossa Senhora do Carmo, a Câmara e um Pelourinho situado ao centro deste belo cenário que é a Praça Minas Gerais. Lembro-me, perfeitamente, de como a cidade era preparada para as festividades, de como as pessoas compravam roupas novas e se arrumavam para a grande celebração.
Neste ano, eu e muitos moradores caminhávamos em coro para comemorar o aniversário da cidade. Qual foi o presente de grego que ganhamos no momento da grande festa? Cidadãos de Mariana, que pagam os impostos e que movimentam a economia da cidade, foram barrados na entrada do evento.
Como os anfitriões da festa não podem compartilhar o banquete com os seus convidados?Ficamos parados, em pé na ladeira, perplexos com o fato de só nos restarem as migalhas que caíam dos pratos daqueles que saboreavam a ceia, daqueles que se achavam privilegiados por terem sido selecionados para a festa.
Caro leitor, é indiscutível a indignação de muitos que ficaram fora da festa.A maioria das pessoas que foram barradas são cidadãs que constroem suas vidas,diariamente, nas ruas de Mariana, trabalhando em prol da educação, da saúde, do comércio, da arte e da cultura.
Recebi de um amigo uma credencial para que pudesse apreciar a grande ceia. Eu, polidamente, recusei. Preferi ficar com a população desconsolada por ter sido excluída do evento. Remeto-me a música do grande poeta Cazuza: “Não me convidaram para esta festa pobre que os homens armaram para me convencer(...)”.
Lamento pelo que aconteceu na cidade onde fui criada, onde eu crio os meus filhos e onde eu sou educadora. Mariana presenciou um episódio de grande desrespeito ao cidadão. Recordo-me da fábula: A Festa no Céu. A narrativa conta a história de uma festa no céu restrita aos animais que podiam voar. Os outros animais da floresta não puderam comparecer, pois as festividades aconteceram fora do alcance desses animais.
Baseando-me nesta história infantil, deixo em aberto a seguinte questão: Por que somente alguns puderam participar da festa de aniversário de Mariana?

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.

Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes

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