Eu disse a uma amiga:
- O jardim de Mariana está
florido, o coreto restaurado, a Praça Gomes Freire está revigorada, mas as bicicletas guiadas por
adolescentes, a toda velocidade, tornam o ambiente desagradável.
No momento em que eu falava,
um deles passava por nós. Ele mais do que depressa parou a bicicleta e me
perguntou:
- Você é a dona do Jardim?
Respondi:
- Não, sou uma moradora da
cidade, gosto do Jardim e quero passear aqui sem ser atropelada pelas bicicletas.
- Quer chamar a polícia?
Pode chamar! Sou filho de um policial militar – disse-me ele.
Pensei em dar-lhe a seguinte
resposta:
-Seu pai é policial, então
chame-o para eu pedir a ele que lhe dê educação.
Preferi não me manifestar. Ele
continuou encarando-me como quem deseja o temor das pessoas. Naquele momento,
senti que me queria como sua refém. Ele gritava desaforos e insultos ao fitar-me
com um olhar ameaçador.
Escrevendo esse texto,
reflito sobre a falta de educação. As pessoas não
compreendem que liberdade é o direito de procedermos como acharmos melhor,
contanto que esse direito não vá contra o direito dos outros. Hoje é sete de
setembro e comemora-se a Independência do Brasil. Será que atitudes, como a
desse adolescente, acontecem por vivermos uma falsa independência? Será que os
jovens estão desnorteados por estarem no meio da loucura causada por mentiras,
corrupções, deturpação dos valores e histórias mal resolvidas?
Não vou entrar no mérito
histórico, não sou historiadora. Estou fazendo uma crônica para expor o meu
ponto de vista diante de situações cotidianas. Nesses dias, um mal-estar
pairava sobre as ladeiras da cidade. Será que a população, depois de séculos
após a Inconfidência Mineira, que aconteceu em Ouro Preto, ainda clama pela “Libertas Que Sera Tamen” (liberdade
ainda que tardia)?
Liberdade, palavra tão
cobiçada nessa região na época dos inconfidentes. A Inconfidência Mineira
terminou em mortes, traições e amores. A história apresenta várias versões, mas
o que interessa é que esse movimento fez parte do processo de Independência do
Brasil.
Somos um país tão
empobrecido no que tange às questões como a independência e a política. O
governo não investe em educação e é ela que promove cidadãos críticos,
pensantes, conscientes de seus direitos e deveres e que saibam conduzir a vida
através de um movimento da equidade. A educação deve ser prioridade de quem
está no poder público e, também, de todo cidadão brasileiro.Um pouco de educação
não faz mal a ninguém!
Resta-nos a esperança de que
nem todos os pais deixem seus filhos saírem pelas ruas fazendo uso da violência
que, infelizmente, passou a fazer parte do nosso cotidiano. Lutemos pela
educação e pela liberdade plena para gregos e troianos. Assim seja!
Jacqueline Antunes,
Pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 13/09/2012
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