quarta-feira, 3 de outubro de 2012

FACE DE JESUS


No dia 18 de setembro, num congresso em Roma, foi apresentada uma inscrição antiga feita em papiro. O documento sinaliza que Jesus teria sido casado. Ora, a vida de Jesus foi perpassada por mitos e, às vezes, montar o quebra cabeça de sua existência é muito complicado.Se Jesus foi casado ou não, não quero entrar nesse pormenor. Seria um desatino escrever sobre uma temática tão polêmica. Acredito que esse é um assunto que deve ser abordado por historiadores.
O que quero ressaltar, caro leitor, são os exemplos e os ensinamentos de Jesus. Ao refletir sobre os passos desse homem de espírito superior, lembrei-me de uma palavra tão escassa atualmente – ALTERIDADE, originária da palavra latina alter, que significa o outro.
Jesus veio ao mundo há 2.000 anos, levantando a bandeira da ética, da alteridade e da paz. Seus ensinamentos foram muitos, porém, atualmente, são pouco aplicados. Hoje, vivemos em um mundo onde a cultura do capitalismo foi fixada em nossas cabeças. Estamos na roda viva das intolerâncias, das guerras, das discriminações, das disparidades, que gera graves problemas sociais.
O mundo contemporâneo ainda mostra marcas do domínio de homens sobre homens, da guerra de todos contra todos; somos seres suspeitos em muitos aspectos. A sociedade passou por inúmeras transformações e evoluções, mas a intolerância e o preconceito não se extinguiram. Como mudar este cenário em que o outro está diante de mim e não quero vê-lo, nem aceitá-lo?
Recorro à ética de alteridade do filosofo judaico, Emmanuel Lévinas – "É na face do OUTRO que se irrompe todo sentido. Diante do rosto do OUTRO o sujeito se descobre responsável(...)" – para fazer um apelo pela justiça, pelo respeito e pela responsabilidade. Devemos continuar a trilhar nossos caminhos, promovendo o respeito perante as diferenças, procurando encontrar no outro a face de Jesus. Quem sabe assim, seremos acolhidos pelo mundo independente da nossa raça, credo, classe social e sexo.

Jacqueline Antunes -
pedagoga e professora.
Texto publicado no jornal O Tempo dos inconfidentes  - 02/10/2012

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