Na manhã de domingo, fomos
em direção ao Planetário de Belo Horizonte, que fica em frente da Praça da
Liberdade. Só faltavam três minutos para a sessão começar,quando fui alertada
de que os professores pagam metade da entrada. Uma pena, eu insisto em me
esquecer dos direitos dos professores (são tão poucos).
Meu filho com pressa de
entrar no mundo mágico do espaço e eu, ali, remexendo na carteira para achar um
comprovante da profissão que exerço. Não encontrei absolutamente nada, nem uma
pista, nem um cartão do Ipsemg, nem um contra cheque, então, proclamei-me
professora: -Tenho uma forma mais original de apresentar-me e comprovar a minha
profissão.Toque na minha pele e se você for sensível sentirá a minha marca.
Justifiquei.
Ela me olhava-me, possivelmente
imaginado que estava diante de uma louca. Entrei no museu e pensei: - Para ser
professor é preciso ter garra, presença forte, audácia e coragem, tudo isso é a
nossa marca registrada. Milton Nascimento destacou a grande mania do professor
em sua canção:"Mas é preciso ter manha. É preciso ter graça. É preciso ter
sonho sempre. Quem trás na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé
na vida".
O mês de janeiro está
chegando ao fim e vamos caminhando para o mês de fevereiro. É chegada a hora de
colocarmos as mochilas nas costas e voltarmos para a escola. É Tempo de criança
na escola, romaria daqueles que trazem na bagagem o conhecimento prévio e
condensado do mundo que os cerca. Chegam ávidos, sentidos despertos, emoções à
flor da pele para sentir e indagar o novo mundo que circunda no espaço escolar.
Remeto-me a outra canção de
Milton Nascimento para celebrar o encontro entre alunos e professores: “Mas
renova-se a esperança. Nova aurora a cada dia. E há que se cuidar do broto. Para
que a vida nos dê flor e fruto”. Vamos arregaçar as
mangas professores! Um novo dia amanhece na história da educação brasileira. Suspirem
fundo, tenham foco, fé e determinação para a nova jornada.
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 30/12/2013
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 30/12/2013
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