segunda-feira, 7 de maio de 2012

CULTURA EM REVISTA

Livros Biblioteca ao vivo e em cores e Jenipapo são apresentados.
Dentre as atrações, está o livro da pedagoga Jacqueline Antunes, onde encontramos o poema de Arthur Bailon. Mais de 50 alunos da escola ‘Dr. Gomes Freire’ tiveram seus desenhos, poesias e histórias publicadas. Jacqueline Antunes trabalha como bibliotecária na Escola Estadual Dr. Gomes Freire e, por iniciativa própria, decidiu criar um programa para a formação de leitores. A própria funcionária se define como “uma criança que brinca de escrever, escrevo fazendo a vida ter outro tom. Tudo vira obra prima”.






PALHAÇO GENTILEZA


O palhaço brinca
de roubar muié.
Não rouba sonhos.
Ele compõe a vida
em versos de cetim.
Sorrisos sem fim.

O palhaço
carrega no rosto
a esperança,
respeitando
a diversidade
em cada paragem.

O palhaço é canto
no espaço vazio.
No murmúrio da mulher
que perdeu o amante.
Na criança
que não ganhou
um olhar do pai.
No desespero
do político ganancioso.
No cantor
que não canta mais.

O olhar do Palhaço
é só Gentileza.

Jacqueline Antunes

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O JARDIM DE MARIANA


Sentar no Jardim da cidade de Mariana, depois de um longo dia de trabalho é algo prazeroso que faço cotidianamente.
Ao observar nossas crianças brincando, lembro-me que era o que grande parte de nós, moradores da cidade, fazíamos na nossa infância.
A história se repete, as brincadeiras de roda, os jogos de bola, as crianças conversando, se divertindo e combinando entre elas as brincadeiras para o dia seguinte.
Nessa roda viva, muitas histórias acontecem no Jardim de Mariana. Histórias narradas nas conversas corriqueiras, vivenciadas pelas mulheres, pelos homens, pelos jovens e pelas crianças que vão tecendo o enredo, criando enlaces e compondo o cenário do Jardim.
A poesia deslumbra o ar da Praça ao som das maritacas, os coqueiros e as árvores frondosos dão as sombras, o aconchego e o coreto, ao centro, espera ansioso a reforma.
O lago, do outro lado do Jardim, faz parte da fotografia. Os peixes salpicam na água, água que traz calmaria. Canteiros com flores diversas onde as abelhas pousam suavemente para sugar o néctar.
Os moradores caminham contando os passos que a vida dá, respirando o ar oferecido pela Praça Gomes Freire no coração da cidade.
 Natureza viva, canto de contos e prosas, circundada pelos casarões, ela emana alegria ao som dos sinos que tilintam nas igrejas: Nossa Senhora da Assunção (Sé), Nossa Senhora do Carmo, São Francisco de Assis e Igreja das Mercês. A Igreja de São Pedro, perto do céu, imponente, fica observando o belo cenário e rogando à padroeira proteção para a cidade.
Sentada em um banco no Jardim, vejo a noite cair, com Ela, o clarão da Lua que vem das montanhas me faz parar para admirar as pessoas que representam os personagens daquele cenário.
O Jardim de Mariana é composto de amores, de clamores, de rumores, de boemia, de cantigas que permeiam aquele ambiente repleto de diversidade.
As árvores renovam os ares, o Jardim acolhe a todos e cada sujeito, que faz parte do cenário que compõe esse ambiente mágico, deve ter o compromisso de conservá-lo como um lugar de bem viver.
 

Jacqueline Antunes
Pedagoga e professora da
Rede Pública Estadual de
 Mariana

sábado, 21 de abril de 2012

TERRA DE ÍNDIO

 SOU INDIO
NA TERRA DO BRASIL...

A TERRA,
MEU POVO,
SOU EU.

BRASIL
INDIO CARA PÁLIDA.

SEM TERRA,
ÍNDIO
É POVO MORTO.
NO PEITO

NO SEIO DA TERRA.

Jacqueline antunes

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Professor, eu quero literatura!


O dia 18 de abril foi instituído como o Dia Nacional da Literatura Infantil, em homenagem a Monteiro Lobato, respeitável escritor brasileiro que nos diz: “um pais se faz com homens e livros”.
            Quando entro em uma livraria, o meu grande desejo é comprar muitos livros: clássicos e modernos como crônicas e poesias. A diversidade  de gêneros textuais distribuídos nas prateleiras nos estimulam a ter fome de literatura.
            Penso sempre que o professor brasileiro deveria ganhar o suficiente para garantir a aquisição de bons livros  e assim o exercício diário da leitura mas, infelizmente, livro no Brasil é um produto caro. O professor precisa manter a sua alma alimentada de literatura para então, lançar um olhar ao aluno, sujeito que está de olhos e poros abertos para acolher o conhecimento do mundo, ali, parado, àescuta do que o mestre tem a lhedizer.
É uma pena que nós, educadores, não ganhamos, suficientemente, para alimentar melhor  esse nosso desejo de literatura.
Desejo é essencial para a vida de qualquer homem. Este sentimento é expresso através do pensamento de Ítalo Calvino “Minha confiança no futuro da Literatura consiste em saber que há coisas que só a Literatura com seus meios específicos nos pode dar”.
Digamos que é preciso revigorar o trabalho com a leitura na escola, para despertar o desejo de ler nos alunos, sujeitos leitores da vida e dos livros, e isso significa que tudo tem sido trabalhado sobre a Literatura precisa fazer parte  da vida do professor.
 Ele deve ser alguém que participa ativamente do processo de incentivo à leitura e precisa ser um conhecedor da  Literatura, para desempenhar bem o seu papel de formador de leitores, alguém que lê para aprender e para ensinar. Só assim poderá intervir na formação de outros leitores.
 Refletindo com Leonardo Boff quando ele diz “a cada um lê com os olhos que tem e interpreta onde os pés pisam.Todo ponto de vista é a vista de um pontopara entender o que alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura [...]”. Concluímos que o leitor é um co-autor e ser leitor é desprender os pés do chão e viajar na essência de si mesmo, compartilhando seus ideais com aquelas palavras escritas que naquele instante é seu mundo.
Todos sabemos que a leitura só acontece de fato quando o leitor e autor trocam suas experiências no maravilhoso ato de ler.
A literatura promove este encontro - desejo com as palavras, união com as histórias e seus personagens que ali habitam.
            É muito bom ler e habitar este mundo inesperado. Melhor ainda é transpor esse tom para outros habitantes do universo: alunos, que estão na escola, ávidos para o conhecimento e que recebem muito bem a sensibilidade que uma das sétimas artes nos trás: A Literatura.
            É lógico que o mediador deste trabalho precisa ser um entusiasta assim como foi e é Monteiro Lobato pela Literatura.
                                                              Vamos lá, professor!

Jacqueline Antunes
Pedagoga e Professora da Rede Pública Estadual de Mariana
A literatura é o ar que respiro... 
é o toque 
o som. 
Eu, 
por inteira. 
A vida que pulsa nos meus olhos 
quando leio cada letra 
e as encontro nas frases de um livro.

 Jacqueline Antunes

segunda-feira, 9 de abril de 2012

NOVO AMANHECER

Sete cores
brilham no céu
depois da chuva.
                                                                   
A menina
 nas fitas
 do arco-íris.

Na corda
bamba
brinca.

Arco-íris
no céu
renova
a sombra.

Amanhece o dia...
é Páscoa
oxalá.
                   
Jacqueline Antunes