sábado, 21 de abril de 2012

TERRA DE ÍNDIO

 SOU INDIO
NA TERRA DO BRASIL...

A TERRA,
MEU POVO,
SOU EU.

BRASIL
INDIO CARA PÁLIDA.

SEM TERRA,
ÍNDIO
É POVO MORTO.
NO PEITO

NO SEIO DA TERRA.

Jacqueline antunes

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Professor, eu quero literatura!


O dia 18 de abril foi instituído como o Dia Nacional da Literatura Infantil, em homenagem a Monteiro Lobato, respeitável escritor brasileiro que nos diz: “um pais se faz com homens e livros”.
            Quando entro em uma livraria, o meu grande desejo é comprar muitos livros: clássicos e modernos como crônicas e poesias. A diversidade  de gêneros textuais distribuídos nas prateleiras nos estimulam a ter fome de literatura.
            Penso sempre que o professor brasileiro deveria ganhar o suficiente para garantir a aquisição de bons livros  e assim o exercício diário da leitura mas, infelizmente, livro no Brasil é um produto caro. O professor precisa manter a sua alma alimentada de literatura para então, lançar um olhar ao aluno, sujeito que está de olhos e poros abertos para acolher o conhecimento do mundo, ali, parado, àescuta do que o mestre tem a lhedizer.
É uma pena que nós, educadores, não ganhamos, suficientemente, para alimentar melhor  esse nosso desejo de literatura.
Desejo é essencial para a vida de qualquer homem. Este sentimento é expresso através do pensamento de Ítalo Calvino “Minha confiança no futuro da Literatura consiste em saber que há coisas que só a Literatura com seus meios específicos nos pode dar”.
Digamos que é preciso revigorar o trabalho com a leitura na escola, para despertar o desejo de ler nos alunos, sujeitos leitores da vida e dos livros, e isso significa que tudo tem sido trabalhado sobre a Literatura precisa fazer parte  da vida do professor.
 Ele deve ser alguém que participa ativamente do processo de incentivo à leitura e precisa ser um conhecedor da  Literatura, para desempenhar bem o seu papel de formador de leitores, alguém que lê para aprender e para ensinar. Só assim poderá intervir na formação de outros leitores.
 Refletindo com Leonardo Boff quando ele diz “a cada um lê com os olhos que tem e interpreta onde os pés pisam.Todo ponto de vista é a vista de um pontopara entender o que alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura [...]”. Concluímos que o leitor é um co-autor e ser leitor é desprender os pés do chão e viajar na essência de si mesmo, compartilhando seus ideais com aquelas palavras escritas que naquele instante é seu mundo.
Todos sabemos que a leitura só acontece de fato quando o leitor e autor trocam suas experiências no maravilhoso ato de ler.
A literatura promove este encontro - desejo com as palavras, união com as histórias e seus personagens que ali habitam.
            É muito bom ler e habitar este mundo inesperado. Melhor ainda é transpor esse tom para outros habitantes do universo: alunos, que estão na escola, ávidos para o conhecimento e que recebem muito bem a sensibilidade que uma das sétimas artes nos trás: A Literatura.
            É lógico que o mediador deste trabalho precisa ser um entusiasta assim como foi e é Monteiro Lobato pela Literatura.
                                                              Vamos lá, professor!

Jacqueline Antunes
Pedagoga e Professora da Rede Pública Estadual de Mariana
A literatura é o ar que respiro... 
é o toque 
o som. 
Eu, 
por inteira. 
A vida que pulsa nos meus olhos 
quando leio cada letra 
e as encontro nas frases de um livro.

 Jacqueline Antunes

segunda-feira, 9 de abril de 2012

NOVO AMANHECER

Sete cores
brilham no céu
depois da chuva.
                                                                   
A menina
 nas fitas
 do arco-íris.

Na corda
bamba
brinca.

Arco-íris
no céu
renova
a sombra.

Amanhece o dia...
é Páscoa
oxalá.
                   
Jacqueline Antunes

quinta-feira, 29 de março de 2012

VOZES FEMININAS



“Liberdade é pouco. O que quero ainda não tem                  
nome. Não quero ter a terrível limitação de quem
vive apenas do que é possível fazer”.
                                                           Clarice Lispector

 O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem origem nas manifestações femininas por condições de trabalho mais justas e direito ao voto, no início do sec. XX, nos Estados Unidos e na Europa.
As mulheres conseguiram grandes conquistas, além de alcançarem um papel atuante na política e na sociedade, elas ganharam espaço no mercado de trabalho e passaram a participar ativamente da economia. Elas estão, cada vez mais, se conscientizando de seu potencial e de sua importância na sociedade. Embora ainda exista discriminação do trabalho feminino, as mulheres têm se tornado independentes e têm produzido grandes mudanças na sociedade.
O escritor Shakespeare pronunciou a seguinte frase:“Fragilidade, o teu nome é mulher”. O compositor Erasmo Carlos dialoga com o escritor inglês ao cantar: “Dizem que a mulher é um sexo frágil, mas que mentira absurda”. Constatamos que a visão acerca da mulherdo compositor da atualidade é bem diferente da visão do escritor de outros tempos.
Renomados escritores e compositores enaltecem a mulher em seus poemas e canções, importantes escritoras usam suas vozes para valorizar e exaltar a mulher moderna.
“Ainda temos muito que caminhar, mas globalmente poderia dizer que a mulher já trilhou mais da metade do caminho de lutas nessa estrada rumo à libertação. O que vejo hoje é um quadro muito positivo. A mulher é dona do mundo, ela é parabólica(...) Ao mesmo tempo que está ligada na camisa do marido, está vendo o bife para o filho, ligada em administrar o dinheiro, a casa.(...) Ela é em si,por direito, a rainha da vida.”Elisa Lucinda
Atualmente, muito já foi feito em prol dos direitos das mulheres, mas, ainda há muito para ser mudado.Encerro com a reflexão de Simone de Beauvoir, escritora francesaque lutou bravamente pelos direitos da mulher: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”.

Jaqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.

FELICIDADE CLANDESTINA



Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser. ”Entendem? Valia mais do que me dar o livro: pelo tempo que eu quisesse ” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
CLARICE LISPECTOR

OUTONO



Folhas varrem o terreiro
minha alma límpida
leve
solta.

A fotografia que vejo
o vento
leva
as folhas
leva junto
sentimentos mofados.

Renova
a estação
sabor de frutos colhidos
nada foi em vão.

A beleza da vida aparece
na fotografia
que criei
na vida que quis
e que
apodero-me agora.

Outono
vou navegar
nas folhas
secas
que lembram
seu olhar.

                      Jaqueline Antunes