O mês de junho desponta no horizonte,
ameaçando trazer o inverno como a nova estação do ano. Fico tentando imaginar a
palavra “frio” nas relações humanas e meus pensamentos me conduzem ao âmbito da
educação.
A escola, com certeza, é uma instituição que
mudou, muito pouco, desde o seu surgimento. A sua estrutura permanece,
praticamente, a mesma no que diz respeito à arquitetura dos prédios, à
organização das salas e à relação entre professor e aluno.
Vivemos na era da informação, lidamos com
sujeitos que têm acesso às diversas tecnologias da informação e que estão
conectados com o mundo, através das redes sociais. Os professores, na maioria
das vezes, não estão preparados para lidar com o turbilhão de fatos, de
notícias e de ideias que a meninada traz na bagagem.
Nós, profissionais da educação, precisamos
trocar nossas lentes e atualizarmos a nossa visão de mundo. Devemos considerar todo
o conhecimento que as crianças apresentam, precisarmos despertar os seus
interesses para transmitirmos cultura, por exemplo, através da arte. A arte
humaniza o homem, amplia o seu olhar, fazendo-o enxergar o mundo de uma forma
crítica e singular.
A educação não é, apenas, papel da escola.
Ela é papel da escola, sim, mas, também, é função da família e da sociedade,
que devem unir suas forças para formar cidadãos. Um Brasil marcado por uma
história vexaminosa, onde, as pessoas que estão no poder não trabalham em prol
da democracia, de uma vida justa e digna para todos, não visam o bem comum.
Nossas mídias impõem o sistema capitalista,
ditam os padrões de “beleza”, divulgam músicas banais, que denigrem os nossos
valores e acabam perdendo sua função de bem informar, de difundir cultura e de
educar; elas se preocupam apenas com o valor comercial das coisas.
Nesse ponto estratégico do meu discurso,
lanço questões que finalizarão a minha composição. Será que nós, pais, estamos
perturbados com a chegada frenética de informações e tecnologias, com "as
novidades do século XXI” e por ser mais fácil educar, damos aos nossos filhos,
por exemplo, o celular mais caro e mais moderno que aparece no mercado para
tentarmos suprir a falta de uma relação mais próxima, mais afetiva.
Será mais fácil, suarmos a camisa no trabalho
para suprirmos mais um desejo supérfluo dos nossos filhos, do que ensinarmos
para eles preceitos que lhes valerão para toda a vida. Se comprarmos um novo
equipamento tecnológico para nossos filhos, amanhã, ele já estará ultrapassado;
mas, se compartilharmos o que aprendemos durante a nossa vivência, eles se
tornarão pessoas mais bem preparadas para viver em sociedade.
Espero que o frio do mês de junho traga o
agasalho que aqueça as relações entre filhos e pais, entre alunos e professores,
enfim, entre as pessoas que vivem em sociedade, para que todos partilhem, verdadeiramente, o pão da vida, como ingrediente básico para a paz e o
respeito mútuo.
Jaqueline Antunes
Pedagoga e professora da
Rede Pública Estadual de
Mariana.

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