Na semana que passou,
vivenciei uma cena que me tocou ao ponto de estar aqui, debruçada em temas tão
complexos: A AGRESSIVIDADE versus A DELICADEZA.
Eu caminhava, depois de sair
da escola onde trabalho, quando me deparei com um adolescente, de
aproximadamente 11 anos, agredindo uma garota com um tapa na face. Interrompi a
minha caminhada, senti um estranhamento ao vê-la sorrindo, como se aquele ato
de agressividade não tivesse provocado-lhe nenhum mal-estar.
Aproximei-me, dei-lhe um
beijo no rosto e trocamos um olhar de cumplicidade. Eu conhecia aquela menina e
sua graciosidade. Saí pensando que fatos como esses não são isolados, pelo
contrário, tornam-se cada vez mais frequentes. Condutas agressivas entre
adolescentes e jovens é o começo do caminho para dramas maiores, que são as
cenas de mortes.
A banalização da violência
fica evidente nos relacionamentos entre jovens e adolescentes, deixando-nos sem
defesa diante do terror que se instala na sociedade pós-moderna. As raízes deste
fenômeno estão associadas ao contexto histórico, social, cultural e político em
que se insere esta sociedade.
A violência está muito
presente em nossas vidas. Diariamente nos deparamos com imagens que apresentam
atos de crueldade, transmitidas pelos jornais, pelas revistas, pela TV e pela
internet. Ela está presente na crueldade das pessoas, nas palavras rudes e
indelicadas, no tráfico de drogas, na impunidade, na exclusão social; é como
bala que mata a poesia do amor.
A mídia, sempre, coloca a violência
em pauta, muitas vezes, de modo errôneo; o que é um grande complicador, afinal,
ela é um ponto de referência para a nossa sociedade. A mídia deveria enfatizar
a paz, a justiça, os valores, a delicadeza, que são fundamentais para o
desenvolvimento do homem no meio social.
A violência é inerente ao
homem, portanto, devemos encontrar formas construtivas para canalizar a
agressividade, precisamos lançar mão da delicadeza, que é um ingrediente
importante para a relação humana no mundo pós-moderno.
Vários poetas declamaram sobre a delicadeza e
o amor. Vinicius, o poetinha, escreveu: “de
tudo, ao meu amor serei atento”, Francisco de Assis fez a prece:“onde houver ódio que eu leve o amor. Onde
houver ofensa que eu leve o perdão(...)” e Paulo, na Bíblia, nos mostrou o
caminho para a delicadeza, quando profetizou:“ainda que eu fale todas as línguas dos homens e dos anjos, se não
tiver amor sou como o bronze que soa ou o sino que retine(...)”.
Busquemos a delicadeza e o
amor, peças fundamentais para nutrirmos uma boa convivência. O poeta Fernando
Pessoas, que fez aniversário dia 13 de junho, revela-nos um grande segredo ao
escrever: “enquanto não superamos a ânsia do amor sem limites, não podemos
crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria
solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois,
antes, é necessário ser um.”
Pedagoga e professora da
Rede Pública Estadual de
Mariana.

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