quinta-feira, 21 de junho de 2012

DEIXE A DELICADEZA CHEGAR


Na semana que passou, vivenciei uma cena que me tocou ao ponto de estar aqui, debruçada em temas tão complexos: A AGRESSIVIDADE versus A DELICADEZA.
Eu caminhava, depois de sair da escola onde trabalho, quando me deparei com um adolescente, de aproximadamente 11 anos, agredindo uma garota com um tapa na face. Interrompi a minha caminhada, senti um estranhamento ao vê-la sorrindo, como se aquele ato de agressividade não tivesse provocado-lhe nenhum mal-estar.
Aproximei-me, dei-lhe um beijo no rosto e trocamos um olhar de cumplicidade. Eu conhecia aquela menina e sua graciosidade. Saí pensando que fatos como esses não são isolados, pelo contrário, tornam-se cada vez mais frequentes. Condutas agressivas entre adolescentes e jovens é o começo do caminho para dramas maiores, que são as cenas de mortes.
A banalização da violência fica evidente nos relacionamentos entre jovens e adolescentes, deixando-nos sem defesa diante do terror que se instala na sociedade pós-moderna. As raízes deste fenômeno estão associadas ao contexto histórico, social, cultural e político em que se insere esta sociedade.
A violência está muito presente em nossas vidas. Diariamente nos deparamos com imagens que apresentam atos de crueldade, transmitidas pelos jornais, pelas revistas, pela TV e pela internet. Ela está presente na crueldade das pessoas, nas palavras rudes e indelicadas, no tráfico de drogas, na impunidade, na exclusão social; é como bala que mata a poesia do amor.
A mídia, sempre, coloca a violência em pauta, muitas vezes, de modo errôneo; o que é um grande complicador, afinal, ela é um ponto de referência para a nossa sociedade. A mídia deveria enfatizar a paz, a justiça, os valores, a delicadeza, que são fundamentais para o desenvolvimento do homem no meio social.
A violência é inerente ao homem, portanto, devemos encontrar formas construtivas para canalizar a agressividade, precisamos lançar mão da delicadeza, que é um ingrediente importante para a relação humana no mundo pós-moderno.
 Vários poetas declamaram sobre a delicadeza e o amor. Vinicius, o poetinha, escreveu: “de tudo, ao meu amor serei atento”, Francisco de Assis fez a prece:“onde houver ódio que eu leve o amor. Onde houver ofensa que eu leve o perdão(...)” e Paulo, na Bíblia, nos mostrou o caminho para a delicadeza, quando profetizou:“ainda que eu fale todas as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor sou como o bronze que soa ou o sino que retine(...)”.
Busquemos a delicadeza e o amor, peças fundamentais para nutrirmos uma boa convivência. O poeta Fernando Pessoas, que fez aniversário dia 13 de junho, revela-nos um grande segredo ao escrever: “enquanto não superamos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”

Jacqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.

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