O olhar do fotógrafo
mira a alma.
Ele capta o
instante
transformando-o
em eternidade!
Revelo a você, caro leitor,
um grande sonho: ser fotógrafa profissional, que mira e resgata a essência das
coisas em um espetacular golpe de vista. O fotógrafo capta a cena a olho nu,
despido de preconceitos, alcança o mistério da alma e eterniza instantes.
Bacana vê-los sair por aí roubando cenas cotidianas e transformando-as em arte.
Fotografia é leitura exemplar, olho no
olho, boca na boca, pele na pele... A fotografia é como o sol que entra pelas
janelas revelando a nossa essência. Ela desvela a beleza da noiva, a boca
vermelha da prostituta, o vazio do bêbado, a miséria do amante abandonado, a
grandeza da mulher descalça no chão seco do norte, o embrutecimento covarde do
político que bate as mãos nas costas do eleitor ingênuo e rouba-lhe o voto, a
ironia no azedume do homem que matou a mulher para ser livre na prisão.
O flash invade a cena de amor sem pedir
licença e com classe impõe sua presença. Ser fotógrafo é conhecer a sutileza e
no silêncio desvendar segredos. A fotografia grita a injustiça, revela o
mistério, mostra um rebuliço visual, onde nenhuma palavra é necessária. Ela
acorda os sonhos adormecidos em nossa memória, através do olhar daquele que
eterniza a vida ao ignorar o tempo presente. Um bom exemplo é o da viúva que
doa, a cada manhã, um beijo ao retrato do marido que um dia foi presença.
Ana
Elisa Costa Novaes, residente em Passagem de Mariana, pratica a arte refinada
de fotografar. Ela mira o alvo com avidez e penetra o íntimo do objeto que
revela. Resgata e transmite de modo peculiar culturas, ambientes, olhares,
casarios, procissões; uma infinidade de cores e de formas. Encanto-me com o
trabalho singular da fotógrafa que une os elementos em um acorde em plena
sintonia com a beleza, o tempo, a memória e a história. Ana cita Cartier Bresson – “fotografar,
colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração” – para falar
sobre seu trabalho: a arte de fotografar.
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O tempo dos Inconfidentes - 17/10/2012
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