Na semana que passou,
comemoramos o dia do professor. Falar de professor no Brasil, muitas vezes,
angustia-me, pois eu sei que os governantes e a sociedade em geral não
valorizam os profissionais da educação e, principalmente, da educação básica.
Fazendo uma análise da greve
que aconteceu ano passado, revivo em minha memória alguns momentos desse
doloroso movimento, que durou 112 dias. Na verdade, durou muito mais, pois,
depois da greve, foram tirados os direitos estabelecidos e conquistados por
nós, profissionais da rede pública estadual de ensino, em uma longa história de
conquistas de direitos.
Nós, professores do ensino
fundamental, atuamos na base da formação, mediamos o conhecimento em sujeitos
que estão constituindo o seu carácter. É na infância que se constrói o
despertar para educação de um cidadão que caminhará pelas ruas pensando,
criticando, interagindo e contribuindo com a sociedade.
O ensino básico é
menosprezado. É preciso valorizar a educação em sua
totalidade, desde o ponto em que ela se inicia até chegar às universidades. É
função do poder público e do educador desenvolver um ensino de qualidade.
Deixemos de lado os paradigmas equivocados. Nós, professores da educação
básica, não somos simples cuidadores e muito menos impositores de ideias e
detentores do poder.Somos mediadores de conhecimento, devemos estimular o aluno
a pensar, a questionar, a elaborar hipóteses e a acreditar em um mundo melhor.
Na última greve, o que me
tocou foi, mais uma vez, grupos de “gatos pingados” lutando pelos direitos da
educação nos municípios, entregando suas vidas na luta pela educação. Ao ir às
assembleias em Belo Horizonte, pude observar que eram poucos os profissionais
de educação dos ensinos iniciais que se dedicaram à causa e debruçaram-se sobre
seus ideais. Que esperança eu posso passar ao meu aluno se eu não acredito na
profissão que escolhi?
Junto-me àqueles que
acreditam na educação, que vão à luta, que constantemente aperfeiçoam-se,
capacitam-se, apropriam-se de cultura através de bons filmes, bons livros, boa
música e estão antenados aos conhecimentos que perpassam a sociedade,só assim,
teremos condições de sermos profissionais com visão de mundo.
Sei que esse texto está
parecendo um puxão na orelha do profissional da educação no mês em que é
comemorado o seu dia. Só estou tentando quebrar paradigmas negativos que não
impulsionam o professor à sua grande causa: ser educador.
Sejamos compromissados com
nossa vida profissional, busquemos nossos direitos e façamos valer o nosso
dever de educadores. Quem sabe assim, juntos em uma classe unida e fortificada,
cumpriremos o nosso papel perante a sociedade na formação de cidadãos conscientes
e atuantes. É nos valorizando que seremos valorizados.
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no jornal O Tempo dos Inconfidentes - 22/10/2012
Texto publicado no jornal O Tempo dos Inconfidentes - 22/10/2012
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