quinta-feira, 8 de novembro de 2012

UM PAPO COM O PROFESSOR


Na semana que passou, comemoramos o dia do professor. Falar de professor no Brasil, muitas vezes, angustia-me, pois eu sei que os governantes e a sociedade em geral não valorizam os profissionais da educação e, principalmente, da educação básica.
Fazendo uma análise da greve que aconteceu ano passado, revivo em minha memória alguns momentos desse doloroso movimento, que durou 112 dias. Na verdade, durou muito mais, pois, depois da greve, foram tirados os direitos estabelecidos e conquistados por nós, profissionais da rede pública estadual de ensino, em uma longa história de conquistas de direitos.
Nós, professores do ensino fundamental, atuamos na base da formação, mediamos o conhecimento em sujeitos que estão constituindo o seu carácter. É na infância que se constrói o despertar para educação de um cidadão que caminhará pelas ruas pensando, criticando, interagindo e contribuindo com a sociedade.
O ensino básico é menosprezado. É preciso valorizar a educação em sua totalidade, desde o ponto em que ela se inicia até chegar às universidades. É função do poder público e do educador desenvolver um ensino de qualidade. Deixemos de lado os paradigmas equivocados. Nós, professores da educação básica, não somos simples cuidadores e muito menos impositores de ideias e detentores do poder.Somos mediadores de conhecimento, devemos estimular o aluno a pensar, a questionar, a elaborar hipóteses e a acreditar em um mundo melhor.
Na última greve, o que me tocou foi, mais uma vez, grupos de “gatos pingados” lutando pelos direitos da educação nos municípios, entregando suas vidas na luta pela educação. Ao ir às assembleias em Belo Horizonte, pude observar que eram poucos os profissionais de educação dos ensinos iniciais que se dedicaram à causa e debruçaram-se sobre seus ideais. Que esperança eu posso passar ao meu aluno se eu não acredito na profissão que escolhi?
Junto-me àqueles que acreditam na educação, que vão à luta, que constantemente aperfeiçoam-se, capacitam-se, apropriam-se de cultura através de bons filmes, bons livros, boa música e estão antenados aos conhecimentos que perpassam a sociedade,só assim, teremos condições de sermos profissionais com visão de mundo.
Sei que esse texto está parecendo um puxão na orelha do profissional da educação no mês em que é comemorado o seu dia. Só estou tentando quebrar paradigmas negativos que não impulsionam o professor à sua grande causa: ser educador.
Sejamos compromissados com nossa vida profissional, busquemos nossos direitos e façamos valer o nosso dever de educadores. Quem sabe assim, juntos em uma classe unida e fortificada, cumpriremos o nosso papel perante a sociedade na formação de cidadãos conscientes e atuantes. É nos valorizando que seremos valorizados.

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no jornal O Tempo dos Inconfidentes - 22/10/2012

Nenhum comentário: