Entro de mãos dadas
com o meu filho na sala escura do cinema, para assistir ao filme “Os
Croods” em três dimensões. Uma comédia pré-histórica que relata a
história da divertida família Croods. Eles vivem escondidos, a maior parte do
tempo, numa caverna e são liderados pelo personagem Grug. Um pai temerosoque
prega o medo para impedir que sua prole ande livre e sem a sua proteção.
A caverna que
eles moravam foi derrubada por um terremoto e tiveram que sair em
busca de um novo lar. No caminho receberam a ajuda de um nômade do mundo
moderno e esse bravo companheiro orientou a família a encontrar um lugar
seguro.A luta dos Croodspara sobreviver ao "fim do
mundo" se tornou uma aventura incrível, eles enfrentaram vários
desafios, inventaram o fogo e descobriram um “mundo novo".
Durante o filme,
entre risadas e as observações pertinentes do meu filho, lembrei-me de
uma das passagens mais clássicas da filosofia: a alegoria da caverna, que foi
escrita pelo filósofo Platão e encontra-se na obra intitulada de “A República”.
O mito da caverna nos mostra a condição do homem, que vive aprisionado
na sombra e que só quando se liberta das trevas da ignorância é que recebe as
luzes do conhecimento.
No século XXI, é
difícil nos livrarmos das amarras que nos mantêm presos às ilusões: o
consumismo desenfreado, que nos acorrenta em um mundo de sombras e a
dificuldade de nos reconhecermos fora dele.Será que estaremos vivendo em uma
caverna chamada capitalismo?Deixar para trás as cavernas que já
habitamos e vislumbrar o mundo através do senso crítico
é desconstruir nossa realidade.Desvendar um mundo
desconhecido é fantástico e necessário para o processo de evolução.
Caro Leitor, viver
na escuridão, muitas vezes, é mais cômododo que viver a realidade. Precisamos
deixar nossas zonas de conforto, sair das váriascavernas que rondam a
nossa mente e que reforçam o medo e a repressão. Devemos abandonar o que nos
limita e permitir que a vida contemporânea nos mostre as luzes do
conhecimento para nos livrar da ignorância. Como escreveu Saramago: "Não
tenhamos pressa, mas não percamos tempo". Que as luzes apaguem
as trevas.Oxalá!
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário