domingo, 31 de março de 2013

MUNDO NOVO



Entro de mãos dadas com o meu filho na sala  escura do cinema, para assistir ao filme “Os Croods” em três dimensões.  Uma comédia pré-histórica  que relata a história da divertida família Croods. Eles vivem escondidos, a maior parte do tempo, numa caverna e são liderados pelo personagem Grug. Um pai temerosoque prega o medo para impedir que sua prole ande livre e sem a sua proteção. 
A caverna que eles moravam foi derrubada por um terremoto e tiveram que sair em busca de um novo lar. No caminho receberam a ajuda de um nômade do mundo moderno e esse bravo companheiro orientou a família a encontrar um lugar seguro.A luta dos Croodspara sobreviver  ao "fim do mundo" se tornou uma aventura incrível, eles enfrentaram   vários desafios, inventaram o fogo e descobriram um “mundo novo".
Durante o filme, entre risadas e as observações pertinentes  do meu filho, lembrei-me de uma das passagens mais clássicas da filosofia: a alegoria da caverna, que foi escrita pelo filósofo Platão e encontra-se na obra intitulada de “A República”. O mito da caverna nos mostra  a condição do homem, que vive aprisionado na sombra e que só quando se liberta das trevas da ignorância é que recebe as luzes do conhecimento.
No século XXI, é difícil nos livrarmos das amarras que  nos mantêm presos às ilusões: o consumismo desenfreado, que nos acorrenta em um mundo de sombras e a dificuldade de nos reconhecermos fora dele.Será que estaremos vivendo em uma caverna chamada capitalismo?Deixar para trás as cavernas que já habitamos e  vislumbrar o mundo através do senso crítico  é desconstruir nossa realidade.Desvendar um mundo desconhecido é fantástico e necessário para o processo de evolução. 
Caro Leitor, viver na escuridão, muitas vezes, é mais cômododo que viver a realidade. Precisamos deixar nossas zonas de conforto, sair das váriascavernas  que rondam a nossa mente e que reforçam o medo e a repressão. Devemos abandonar o que nos limita e permitir que a vida  contemporânea nos mostre as luzes do conhecimento para nos livrar da ignorância. Como escreveu Saramago: "Não tenhamos  pressa, mas não percamos tempo". Que as luzes apaguem as trevas.Oxalá!
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.

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