domingo, 3 de março de 2013

EDUCAR PARA A DEMOCRACIA





Caro leitor, pensei em vários temas para refletirmos nesta semana. Poderia falar sobre as dificuldades que o Brasil, por ser um país recém-nascido para a democracia e ainda marcado pela colonização, apresenta para alcançar uma maior autonomia social, política e econômica na esfera mundial.Cogitei, também,escrever sobre a blogueira Yoani Sánchez, conhecida como uma dissidente cubana que escolheu o Brasil como o primeiro destino da viagem que fará por 80 países.
Imaginei o luto das famílias de Santa Maria e como estaria, hoje, cada mãe, cada amigo das pessoas que morreram em uma tragédia coletiva que, com o tempo, será esquecida pela mídia, mas a dor dos envolvidos só aumentará diante da ausência. Lembrei-me da renúncia de Bento XVI, o primeiro Papa a renunciar em um período de 600 anos e o que esse fato provocará na história da igreja e nas eleições italianas. Pensei em tantos temas relevantes e acabei escolhendo relatar uma história do meu cotidiano, algo simples e que, muitas vezes, passa despercebido aos olhos.
Neste fim de semana, levei meu filho para brincar no Jardim. As crianças brincavam de bola, bicicleta, esconde-esconde e outras brincadeiras que surgiram no decorrer da tarde. Ele participava das brincadeiras, tirava as sandálias, colocava os pés no chão, tomava sorvete e lambuzava-se,correndo daqui e correndo de lá. Retratava a bela vida de moleque.
Algumas vezes, ia até ele e dava algumas orientações necessárias para a lei da boa convivência com amigos e com o patrimônio público.De repente, chegou uma criança com um carro motorizado e ficou passeando com aquele brinquedo bonito e lustroso pelo Jardim. Como o carro era a bateria, a criança ficou horas dentro de um brinquedo sem fazer nenhuma atividade: não pedalava, não jogava, não se relacionava com outras crianças e não gastava energia.
A noite chegou, eu peguei a mão suja do meu filho, que estava rodeado de crianças, despedimo-nos de todos e fomos embora. Fui para casa pensando sobre os desafios que os pais enfrentam para criar seus filhos. Não há receita,cada sujeito tem sua singularidade. Creio que o maior desafio para os pais é criar os filhos sem seguir um modelo capitalista.
Comprar um brinquedo para a criança que não irá ajudá-la a desenvolver um papel social é empobrecedor. É na brincadeira que a criança constrói suas relações com outras crianças, estabelece regras de convivência.Quem sabe se, desde a mais tenra idade, as relações forem estabelecidas entre parcerias, entre encontros e desencontros; a sociedade viverá em harmonia e a democracia atingirá seu real significado.
Será que nós queremos viver a democracia? Será que estamos preparados para isso? Não será papel da educação familiar e escolar preparar uma civilização mais livre e democrática?

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.

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