Caro leitor, pensei em vários
temas para refletirmos nesta semana. Poderia falar sobre as dificuldades que o
Brasil, por ser um país recém-nascido para a democracia e ainda marcado pela
colonização, apresenta para alcançar uma maior autonomia social, política e
econômica na esfera mundial.Cogitei, também,escrever sobre a blogueira Yoani
Sánchez, conhecida como uma dissidente cubana que escolheu o Brasil como o
primeiro destino da viagem que fará por 80 países.
Imaginei o luto das famílias
de Santa Maria e como estaria, hoje, cada mãe, cada amigo das pessoas que
morreram em uma tragédia coletiva que, com o tempo, será esquecida pela mídia,
mas a dor dos envolvidos só aumentará diante da ausência. Lembrei-me da renúncia
de Bento XVI, o primeiro Papa a renunciar em um período de 600 anos e o que
esse fato provocará na história da igreja e nas eleições italianas. Pensei em
tantos temas relevantes e acabei escolhendo relatar uma história do meu
cotidiano, algo simples e que, muitas vezes, passa despercebido aos olhos.
Neste fim de semana, levei
meu filho para brincar no Jardim. As crianças brincavam de bola, bicicleta,
esconde-esconde e outras brincadeiras que surgiram no decorrer da tarde. Ele
participava das brincadeiras, tirava as sandálias, colocava os pés no chão,
tomava sorvete e lambuzava-se,correndo daqui e correndo de lá. Retratava a bela
vida de moleque.
Algumas vezes, ia até ele e
dava algumas orientações necessárias para a lei da boa convivência com amigos e
com o patrimônio público.De repente, chegou uma criança com um carro motorizado
e ficou passeando com aquele brinquedo bonito e lustroso pelo Jardim. Como o
carro era a bateria, a criança ficou horas dentro de um brinquedo sem fazer
nenhuma atividade: não pedalava, não jogava, não se relacionava com outras
crianças e não gastava energia.
A noite chegou, eu peguei a
mão suja do meu filho, que estava rodeado de crianças, despedimo-nos de todos e
fomos embora. Fui para casa pensando sobre os desafios que os pais enfrentam
para criar seus filhos. Não há receita,cada sujeito tem
sua singularidade. Creio que o maior desafio para os pais é criar os filhos sem
seguir um modelo capitalista.
Comprar um brinquedo para a
criança que não irá ajudá-la a desenvolver um papel social é empobrecedor. É na
brincadeira que a criança constrói suas relações com outras crianças, estabelece
regras de convivência.Quem sabe se, desde a mais tenra idade, as relações forem
estabelecidas entre parcerias, entre encontros e desencontros; a sociedade viverá
em harmonia e a democracia atingirá seu real significado.
Será que nós queremos viver
a democracia? Será que estamos preparados para isso? Não será papel da educação
familiar e escolar preparar uma civilização mais livre e democrática?
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.

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