quarta-feira, 30 de maio de 2012

TRANSPORTE COLETIVO


SOU UMA CIDADÃ QUE USA O TRANSPORTE COLETIVO DE MARIANA, PEÇO RESPEITO!

Sou uma cidadã que usa diariamente o transporte coletivo da cidade de Mariana. 
Esta semana, resolvi ir ao centro da cidade, usando o transporte coletivo linha Ouro Preto – Mariana. Houve um estranhamento meu quanto à delicadeza do motorista, que me esperou sentar antes de arrancar o ônibus. Pensei que, realmente, eu começava um bom dia, afinal, além da cordialidade já mencionada, o meu bom dia foi correspondido. Já que, esse tipo de tratamento não acontece, frequentemente, nas linhas que circulam o centro de Mariana.
Há muito, passo por situações que desnorteiam qualquer cidadão, que conhece os preceitos da ética e da cidadania. Sempre penso em escrever sobre as diversas situações desconcertantes que eu já vivi na linha que circula no centro da cidade de Mariana. Eu não estou dramatizando e, nem mesmo, sou adepta a escrever sobre histórias que deixam os leitores mais desacreditados do que já estão, devido aos diversos problemas políticos que estão vivendo.
 Estamos vivendo tempos difíceis, em que as políticas públicas não estão atendendo às necessidades da população e em que vivemos à mercê do abuso de poder, por exemplo, de donos de uma empresa que monopoliza o transporte público na região. Sem mencionar o despreparo dos funcionários que trabalham nas empresas de transporte coletivo, no que diz respeito ao trato com público.
O transporte público deve atender a todos, adultos, crianças, jovens, deficientes e idosos e os funcionários devem estar aptos a atendê-los.Vivenciei inúmeras situações que comprovam que há muita coisa que precisa melhorar, principalmente com relação ao atendimento. Já presenciei situações em que o motorista arrancou o ônibus antes que mulheres com crianças e idosos tivessem se sentado, em que o motorista prendeu passageiros na porta e várias outras atitudes de desrespeito com o cidadão.
O mais chocante é que, diante deste tipo de situação desastrosa, ninguém fala nada, as pessoas não questionam, não reclamam os seus direitos. O brasileiro faz festa, canta o samba, vibra no estádio de futebol, mas cala diante da injustiça,do desrespeito e deixa de reivindicar seus direitos.
O silêncio dos oprimidos, o silêncio da insatisfação política, o silêncio que, hoje, ainda continua estampado nas atitudes do povo brasileiro, que se cala nas ruas, nas urnas, nos pés de moleque da cidade de Mariana. Povo que esquece que a constituição lhes confere direitos que devem ser respeitados e que lhes são garantidos por lei.
Lembrei-me do eterno escritor de literatura brasileira, o mineiro Bartolomeu Campos de Queiroz, quando sugeriu, no seu livro Correspondência, que algumas palavras precisam ser “acordadas” e outras deveriam ser “adormecidas” para sempre. Ele escreveu que “as palavras quando bem escolhidas se tornam verdadeiros presentes”. Pensando no livro Correspondência, deixo neste papel algumas palavras que deveriam ser adormecidas: fome, opressão, violência, injustiça, desrespeito e proponho que outras sejam acordadas como: liberdade, solidariedade, igualdade, respeito.
Que essas palavras sejam verdadeiramente acordadas e venham em direção às montanhas de Mariana, que como foi declamado por Henriqueta Lisboa, contem seus segredos para os sinos para que toda a cidade fique sabendo e que voem até os envolvidos na administração do transporte coletivo que circula no centro da cidade. Oxalá!

Jacqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.


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