No dia 17 de maio, crianças, jovens e adultos
cantam em homenagem ao poeta mineiro, Alphonsus de Guimaraens, na 28ª edição do
projeto Cantando Alphonsus- Sarau
lítero-musical. O evento, que acontecerá a partir das 19 horas em frente à
Casa de Cultura, faz parte da 10ª Semana de Museus e é uma realização conjunta
do Museu Casa Alphonsus de Guimarães e da Academia Infanto-Juvenil de Letras.
“As
nossas velhas cidades que olham religiosamente para o passado, de onde lhes vem
o fulgor imorredouro de toda a sua glória, são as mais puras relíquias de
nacionalidade.
Elas
nos falam, na mudez desses casarões coloniais de toda uma história de sofrimentos,
de heroísmo e de suplícios.”O Germinal - Alphonsus de Guimaraens
Alphonsus de Guimaraens foi um dos mais
importantes representantes do movimento simbolista no Brasil. Estudou direito e
ciências sociais, foi juiz de direito da cidade de Mariana até o dia da sua
morte, em 15 de julho de 1921, um dia antes do aniversário da cidade.
A poesia de Alphonsus nos remete a alma de um
poeta perdido em um amor que sufocou, mas que trazia religiosidade e fé; ele
cantou as flores, os amores e a solidão. Apesar da morte da noiva ter sido o
motivo para muitas de suas obras, ele escreveu requintados poemas de humor.
Alphonsus escolheu ser um poeta recluso, viveu
entre as montanhas, nos casarões que exaltou em seus versos, confundiu-se com
as igrejas que o rodeavam. Ele se transformou em um ser solitário devido o
distanciamento entre o seu corpo e sua alma.
“A
minha alma é como a torre de uma igreja que tem um sino sempre a dobrar.”
Alphonsus de Guimaraens
Alphonsus de Guimaraens
Os sinos e seus badalos entoam e Alphonsus,
homem político da cidade de Mariana, dobra os joelhos e compõe o belo poema “A
Catedral”, que descreve como as badaladas dos sinos acompanham as
transformações da paisagem.
O sino canta e segue clamando, chorando e
gemendo, trazendo a ladainha monótona até que a noite chega e o tintilar dos
sinos prossegue em gemidos.
– Pobre Alphonsus!
– Pobre Alphonsus!
O poeta parece dobrar seus joelhos, junto à
noite enluarada, no casarão da Rua Direita, próximo à Igreja da Sé, rogando pela amada e pela alma, que se perdeu adoecida de
amor.
Jaqueline
Antunes
Pedagoga e
professora da
Rede Pública Estadual de
Mariana.

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