quinta-feira, 17 de maio de 2012

CANTANDO ALFHONSUS


No dia 17 de maio, crianças, jovens e adultos cantam em homenagem ao poeta mineiro, Alphonsus de Guimaraens, na 28ª edição do projeto Cantando Alphonsus- Sarau lítero-musical. O evento, que acontecerá a partir das 19 horas em frente à Casa de Cultura, faz parte da 10ª Semana de Museus e é uma realização conjunta do Museu Casa Alphonsus de Guimarães e da Academia Infanto-Juvenil de Letras.

“As nossas velhas cidades que olham religiosamente para o passado, de onde lhes vem o fulgor imorredouro de toda a sua glória, são as mais puras relíquias de nacionalidade.
Elas nos falam, na mudez desses casarões coloniais de toda uma história de sofrimentos, de heroísmo e de suplícios.”O Germinal - Alphonsus de Guimaraens

Alphonsus de Guimaraens foi um dos mais importantes representantes do movimento simbolista no Brasil. Estudou direito e ciências sociais, foi juiz de direito da cidade de Mariana até o dia da sua morte, em 15 de julho de 1921, um dia antes do aniversário da cidade.
A poesia de Alphonsus nos remete a alma de um poeta perdido em um amor que sufocou, mas que trazia religiosidade e fé; ele cantou as flores, os amores e a solidão. Apesar da morte da noiva ter sido o motivo para muitas de suas obras, ele escreveu requintados poemas de humor.
 Alphonsus escolheu ser um poeta recluso, viveu entre as montanhas, nos casarões que exaltou em seus versos, confundiu-se com as igrejas que o rodeavam. Ele se transformou em um ser solitário devido o distanciamento entre o seu corpo e sua alma.

“A minha alma é como a torre de uma igreja que tem um sino sempre a dobrar.” 
Alphonsus de Guimaraens

Os sinos e seus badalos entoam e Alphonsus, homem político da cidade de Mariana, dobra os joelhos e compõe o belo poema “A Catedral”, que descreve como as badaladas dos sinos acompanham as transformações da paisagem.
O sino canta e segue clamando, chorando e gemendo, trazendo a ladainha monótona até que a noite chega e o tintilar dos sinos prossegue em gemidos.
– Pobre Alphonsus!
– Pobre Alphonsus!
O poeta parece dobrar seus joelhos, junto à noite enluarada, no casarão da Rua Direita, próximo à Igreja da Sé, rogando pela amada e pela alma, que se perdeu adoecida de amor.

Jaqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.

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