quarta-feira, 23 de maio de 2012

DRUMMOND CUNHADO EM MINHA VIDA


Fim de tarde, o relógio da Praça Tiradentes toca a sexta badalada. O frio ameaça chegar à cidade de Ouro Preto. Tomando um chocolate quente com conhaque, saboreio um bolo de banana e ao mesmo tempo me delicio com o livro de crônicas da Martha Medeiros. Vejo que além das crônicas, eu e a Martha (Quanta intimidade!) temos muito em comum. Sorrio sempre que ela menciona o escritor e diretor Woody Allen.
Enquanto viajo naquela companhia, numa sala requintada da Chocolataria Ouro Preto, olho para Drummond. Esqueço Martha, Woody Allen e me fixo nele. Carlos Drummond de Andrade, escritor, poeta mineiro, foi transformado em objeto de meu afeto.
Há dois anos, no Natal, uma amiga de infância, que hoje mora em Curitiba, presenteou-me com um marcador de texto com o rosto do poeta cunhado. Coloquei-o em minha caixa preta de colares e deixei-o lá. Às vezes, abria a caixa, procurava-o no meio dos colares, limpava-o, lustrava-o e voltava a guardá-lo.
Hoje de manhã, coloquei o marcador no livro da Martha Medeiros, e quando lia as crônicas, parei e olhei para ele. Ele se tornou minha companhia nos momentos de leitura, eu olho para ele quando quero uma testemunha. Drummond acompanha-me nos momentos em que prefiro a solidão. Ele é o protagonista do meu mundo literário.
O tempo passa e eu estou olhando para ele, acariciando-o entre os meus dedos. Chamo o garçom, pago a conta, saio a vislumbrar as montanhas de Minas, como fazia Drummond, que neste ano completa 25 anos de sua morte. Ele ainda vive em seus textos, cada vez que um sujeito lê as suas obras, a sua voz ganha vida.

“(...) Há de ser a lua mágica e pensativa
A lua de Alphonsus
Sobre as três cidades de sua vida.

É para sentir o luar
Extra que envolve
Ouro Preto, Mariana, Conceição do Serro.”

Carlos Drummond de Andrade - Luar para Alphonsus
Em um momento de sua vida, Drummond pousou o seu olhar sobre o poeta Alphonsus e num terno diálogo, contemplou-o em sua poesia. Eternizou a lua que Alphonsus tanto admirava nas madrugadas frias de Minas.


Jacqueline Antunes
Pedagoga e professora da
 Rede Pública Estadual de
Mariana.

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