quinta-feira, 8 de novembro de 2012

VIDA E MORTE


Sábado pela manhã, feriado de Finados, uma chuvinha fina cai na vidraça da minha casa, nessa calmaria, coloco-me a pensar em temas como Vida e Morte. Sabemos que o processo natural da vida é este: nascer, viver e morrer. Pronto, simples e real. Indago como todo homem que saiu da caverna (Remeto-me aqui ao mito da caverna de Platão, que é a exemplificação de como, através da luz da verdade, podemos nos libertar e sair da escuridão.) vive (Será mesmo que saímos da caverna?) questionando e criticando.
Morte, palavra densa. O que é morrer? Morrer é o ponto final, onde tudo acaba? Ou é quando deixo a roupagem carnal e lanço-me à viagem da renovação do espírito no mundo espiritual? Será a morte o misterioso caminho que me leva a desnudar-me ao encontro de mim mesma? Ou será sair das amarras da ignorância e sofrer o absoluto absurdo do conhecimento?
Reporto-me à parábola da Águia que viveu até os 70 anos, mas aos 40, quando se sentiu cansada, com as penas velhas, as unhas longas e fracas para agarrar as suas presas, ela foi para um ninho perto de uma montanha e lá arrancou seu o bico, esperou que crescesse e com ele arrancou as suas unhas, aguardou mais um pouco até que elas crescessem e com suas novas garras retirou suas asas e quando elas renovaram-se saiu para viver mais 30 anos. Na verdade ela viveu um tormentoso e necessário processo de renovação que durou 150 dias. Retirou o que era velho e ultrapassado, renovou-se e saiu pelo mundo forte, leve, graciosa e tolerante; pronta para entender que a vida é feita de alegrias, mas, também, de percalços.
Vida é o contrário da morte? A vida é oportunidade, é como uma folha de papel em branco, onde a cada dia traçamos nossa história. Viver é estar presente, pulsar, respirar; é pele latente nos caminhos da existência; é ser feliz, trabalhar em busca do alimento de cada dia, tropeçar, cair e levantar.
Existem, por aí, sujeitos que não conseguem ver a vida como uma "metamorfose ambulante" e que morrem sem desfrutar dos seus prazeres. A vida não é para ser perfeita e, sim, para ser vivida. Viver a mesmice, pensar que a vida é uma mala pronta que não pode ser desarrumada, não é vida e, sim, morte.
Levante, dance, trabalhe, brinque, ouse, leia, silencie, cale, durma, coma, beba e, quando a morte “bater na sua porta”, que sua vida tenha sido repleta de boas lembranças e que você tenha marcado a história. Bom Feriado de Finados a todos! Vou molhar-me na chuvinha fresca e brincar como criança, pois não sou de ferro para curtir o tédio melancólico de olhar a janela e ver a vida passar sem fazer algo diferente do que faço todo dia.
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 07/11/2012

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