Sábado pela manhã,
feriado de Finados, uma chuvinha fina cai na vidraça da minha casa, nessa
calmaria, coloco-me a pensar em temas como Vida e Morte. Sabemos que o processo
natural da vida é este: nascer, viver e morrer. Pronto, simples e real. Indago
como todo homem que saiu da caverna (Remeto-me aqui ao mito da caverna de
Platão, que é a exemplificação de como, através da luz da verdade, podemos nos
libertar e sair da escuridão.) vive (Será mesmo que saímos da caverna?) questionando
e criticando.
Morte, palavra densa. O
que é morrer? Morrer é o ponto final, onde tudo acaba? Ou é quando deixo a
roupagem carnal e lanço-me à viagem da renovação do espírito no mundo
espiritual? Será a morte o misterioso caminho que me leva a desnudar-me ao encontro
de mim mesma? Ou será sair das amarras da ignorância e sofrer o absoluto
absurdo do conhecimento?
Reporto-me à parábola
da Águia que viveu até os 70 anos, mas aos 40, quando se sentiu cansada, com as
penas velhas, as unhas longas e fracas para agarrar as suas presas, ela foi
para um ninho perto de uma montanha e lá arrancou seu o bico, esperou que
crescesse e com ele arrancou as suas unhas, aguardou mais um pouco até que elas
crescessem e com suas novas garras retirou suas asas e quando elas renovaram-se
saiu para viver mais 30 anos. Na verdade ela viveu um tormentoso e necessário
processo de renovação que durou 150 dias. Retirou o que era velho e
ultrapassado, renovou-se e saiu pelo mundo forte, leve, graciosa e tolerante; pronta
para entender que a vida é feita de alegrias, mas, também, de percalços.
Vida é o contrário da
morte? A vida é oportunidade, é como uma folha de papel em branco, onde a cada
dia traçamos nossa história. Viver é estar presente, pulsar, respirar; é pele
latente nos caminhos da existência; é ser feliz, trabalhar em busca do alimento
de cada dia, tropeçar, cair e levantar.
Existem, por aí,
sujeitos que não conseguem ver a vida como uma "metamorfose
ambulante" e que morrem sem desfrutar dos seus prazeres. A vida não é para
ser perfeita e, sim, para ser vivida. Viver a mesmice, pensar que a vida é uma
mala pronta que não pode ser desarrumada, não é vida e, sim, morte.
Levante, dance,
trabalhe, brinque, ouse, leia, silencie, cale, durma,
coma, beba e, quando a morte “bater na sua porta”, que sua vida tenha sido
repleta de boas lembranças e que você tenha marcado a história. Bom Feriado de
Finados a todos! Vou molhar-me na chuvinha fresca e brincar como criança, pois
não sou de ferro para curtir o tédio melancólico de olhar a janela e ver a vida
passar sem fazer algo diferente do que faço todo dia.
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 07/11/2012
.bmp)
Nenhum comentário:
Postar um comentário