sexta-feira, 19 de outubro de 2012

UM CLICK COM ARTE


                                                                                                 O olhar do fotógrafo
mira a alma.
Ele capta o instante
transformando-o em eternidade!

Revelo a você, caro leitor, um grande sonho: ser fotógrafa profissional, que mira e resgata a essência das coisas em um espetacular golpe de vista. O fotógrafo capta a cena a olho nu, despido de preconceitos, alcança o mistério da alma e eterniza instantes. Bacana vê-los sair por aí roubando cenas cotidianas e transformando-as em arte.
    Fotografia é leitura exemplar, olho no olho, boca na boca, pele na pele... A fotografia é como o sol que entra pelas janelas revelando a nossa essência. Ela desvela a beleza da noiva, a boca vermelha da prostituta, o vazio do bêbado, a miséria do amante abandonado, a grandeza da mulher descalça no chão seco do norte, o embrutecimento covarde do político que bate as mãos nas costas do eleitor ingênuo e rouba-lhe o voto, a ironia no azedume do homem que matou a mulher para ser livre na prisão.
    O flash invade a cena de amor sem pedir licença e com classe impõe sua presença. Ser fotógrafo é conhecer a sutileza e no silêncio desvendar segredos. A fotografia grita a injustiça, revela o mistério, mostra um rebuliço visual, onde nenhuma palavra é necessária. Ela acorda os sonhos adormecidos em nossa memória, através do olhar daquele que eterniza a vida ao ignorar o tempo presente. Um bom exemplo é o da viúva que doa, a cada manhã, um beijo ao retrato do marido que um dia foi presença.
Ana Elisa Costa Novaes, residente em Passagem de Mariana, pratica a arte refinada de fotografar. Ela mira o alvo com avidez e penetra o íntimo do objeto que revela. Resgata e transmite de modo peculiar culturas, ambientes, olhares, casarios, procissões; uma infinidade de cores e de formas. Encanto-me com o trabalho singular da fotógrafa que une os elementos em um acorde em plena sintonia com a beleza, o tempo, a memória e a história.  Ana cita Cartier Bresson – “fotografar, colocar na mesma linha de mira, a cabeça, o olho e o coração” – para falar sobre seu trabalho: a arte de fotografar.

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto  publicado no Jornal O tempo dos Inconfidentes - 17/10/2012

FLORESÇA BRASIL


Por onde eu passo, vejo os ipês, que apresentam cores exuberantes e enfeitam o ambiente. A primavera anuncia a sua chegada, renova os ares e os cenários da natureza, mas, muitas vezes, o sujeito passa com pressa, olha e não vê a chegada da estação primaveril. Por falar em pressa, no dia 7 de outubro, acontecem as eleições para prefeitos e vereadores de todo o Brasil.
Amanheci e descortinei a janela da minha sala, o céu azul dava um tom de esperança ao solo brasileiro. Não tenho nas veias o sangue da cigana latina, que prevê o futuro, não sei quem vai ganhar as eleições no nosso município e nem no Brasil. A minha única certeza é que, do Oiapoque ao Chuí, do norte ao sul e em cada ponto do país, teremos a oportunidade de votar, que é um direito constitucional e um dever cívico de todo cidadão.
Caro leitor, é tempo de renovação, novos prefeitos e vereadores subirãona rampa da vida pública;eles serão peças fundamentais que deverão ter grande responsabilidade na construção e na melhoria da vidado nosso município e do nosso país. Estamos cansados de tempos difíceis no histórico político brasileiro; o sentimento de desamparo e de desesperança rondam muitos de nós.
Vamos aproveitar os ares renovados pela estação primaveril. Acredito que o pessimismo não nos levou a lugar nenhum e só nos fez retroceder.Devemos tirar nossa roupagem impregnada pelo mofo e pela poeira dos velhos tempos, para que, com uma nova energia, finquemos o pé no acreditar. Ousadia é isto: ter fé no novo. Precisamos mudar a cor e o tom das nossas vidas para contribuir com uma sociedade mais otimista e ativa.
 Não somos bobos da corte, não devemos aceitar e acreditar em tudo o que fazem e falam os governantes, pelo contrário, devemos questionar, criticar e cobrar melhorias para o nosso município, só assim, contribuiremos para uma sociedade mais justa e democrática. Deixe a primavera modificar o espaço público, deixe o sol entrar, desvencilhando as trevas e possibilitando um ambiente de transformações e de evoluções para o cidadão brasileiro.

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

FACE DE JESUS


No dia 18 de setembro, num congresso em Roma, foi apresentada uma inscrição antiga feita em papiro. O documento sinaliza que Jesus teria sido casado. Ora, a vida de Jesus foi perpassada por mitos e, às vezes, montar o quebra cabeça de sua existência é muito complicado.Se Jesus foi casado ou não, não quero entrar nesse pormenor. Seria um desatino escrever sobre uma temática tão polêmica. Acredito que esse é um assunto que deve ser abordado por historiadores.
O que quero ressaltar, caro leitor, são os exemplos e os ensinamentos de Jesus. Ao refletir sobre os passos desse homem de espírito superior, lembrei-me de uma palavra tão escassa atualmente – ALTERIDADE, originária da palavra latina alter, que significa o outro.
Jesus veio ao mundo há 2.000 anos, levantando a bandeira da ética, da alteridade e da paz. Seus ensinamentos foram muitos, porém, atualmente, são pouco aplicados. Hoje, vivemos em um mundo onde a cultura do capitalismo foi fixada em nossas cabeças. Estamos na roda viva das intolerâncias, das guerras, das discriminações, das disparidades, que gera graves problemas sociais.
O mundo contemporâneo ainda mostra marcas do domínio de homens sobre homens, da guerra de todos contra todos; somos seres suspeitos em muitos aspectos. A sociedade passou por inúmeras transformações e evoluções, mas a intolerância e o preconceito não se extinguiram. Como mudar este cenário em que o outro está diante de mim e não quero vê-lo, nem aceitá-lo?
Recorro à ética de alteridade do filosofo judaico, Emmanuel Lévinas – "É na face do OUTRO que se irrompe todo sentido. Diante do rosto do OUTRO o sujeito se descobre responsável(...)" – para fazer um apelo pela justiça, pelo respeito e pela responsabilidade. Devemos continuar a trilhar nossos caminhos, promovendo o respeito perante as diferenças, procurando encontrar no outro a face de Jesus. Quem sabe assim, seremos acolhidos pelo mundo independente da nossa raça, credo, classe social e sexo.

Jacqueline Antunes -
pedagoga e professora.
Texto publicado no jornal O Tempo dos inconfidentes  - 02/10/2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

EDUCAÇÃO AINDA QUE TARDIA


Eu disse a uma amiga:
- O jardim de Mariana está florido, o coreto restaurado, a Praça Gomes Freire está revigorada, mas as bicicletas guiadas por adolescentes, a toda velocidade, tornam o ambiente desagradável.
No momento em que eu falava, um deles passava por nós. Ele mais do que depressa parou a bicicleta e me perguntou:
- Você é a dona do Jardim?
Respondi:
- Não, sou uma moradora da cidade, gosto do Jardim e quero passear aqui sem ser atropelada pelas bicicletas.
- Quer chamar a polícia? Pode chamar! Sou filho de um policial militar – disse-me ele.
Pensei em dar-lhe a seguinte resposta:
-Seu pai é policial, então chame-o para eu pedir a ele que lhe dê educação.
Preferi não me manifestar. Ele continuou encarando-me como quem deseja o temor das pessoas. Naquele momento, senti que me queria como sua refém. Ele gritava desaforos e insultos ao fitar-me com um olhar ameaçador.
Escrevendo esse texto, reflito sobre a falta de educação. As pessoas não compreendem que liberdade é o direito de procedermos como acharmos melhor, contanto que esse direito não vá contra o direito dos outros. Hoje é sete de setembro e comemora-se a Independência do Brasil. Será que atitudes, como a desse adolescente, acontecem por vivermos uma falsa independência? Será que os jovens estão desnorteados por estarem no meio da loucura causada por mentiras, corrupções, deturpação dos valores e histórias mal resolvidas?
Não vou entrar no mérito histórico, não sou historiadora. Estou fazendo uma crônica para expor o meu ponto de vista diante de situações cotidianas. Nesses dias, um mal-estar pairava sobre as ladeiras da cidade. Será que a população, depois de séculos após a Inconfidência Mineira, que aconteceu em Ouro Preto, ainda clama pela “Libertas Que Sera Tamen” (liberdade ainda que tardia)?
Liberdade, palavra tão cobiçada nessa região na época dos inconfidentes. A Inconfidência Mineira terminou em mortes, traições e amores. A história apresenta várias versões, mas o que interessa é que esse movimento fez parte do processo de Independência do Brasil.
Somos um país tão empobrecido no que tange às questões como a independência e a política. O governo não investe em educação e é ela que promove cidadãos críticos, pensantes, conscientes de seus direitos e deveres e que saibam conduzir a vida através de um movimento da equidade. A educação deve ser prioridade de quem está no poder público e, também, de todo cidadão brasileiro.Um pouco de educação não faz mal a ninguém!
Resta-nos a esperança de que nem todos os pais deixem seus filhos saírem pelas ruas fazendo uso da violência que, infelizmente, passou a fazer parte do nosso cotidiano. Lutemos pela educação e pela liberdade plena para gregos e troianos. Assim seja!

Jacqueline Antunes,
Pedagoga e professora.

Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 13/09/2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

RELIGIOSIDADE E CIDADE: O MILAGRE DE MARIA


Em Mariana, podemos encontrar um conjunto arquitetônico que guarda preciosidades do período colonial: igrejas, casarões e praças.Toda essa riqueza se perpetua ainda hoje e se mostra viva na tradição e na forte religiosidade que sempre esteve presente em toda a história marianense, com grande riqueza histórica e também folclórica.
A história contada aqui é real, a senhora ainda reside na cidade, e, por questão de profunda timidez, não quis ter seu nome revelado. Conta Ana, sobrinha de Maria, que, no ano de 1961, aconteceu um milagre com sua tia. Milagre que me ponho a narrar com grande prazer.
Numa das mais belas ruas mineiras, a famosa Rua Direita de Mariana, em um dos casarões que compõe o cenário precioso desta história, morava uma família composta por 14 filhos.
Certa ocasião, a nona filha foi acometida por uma doença terrível e, no desespero de curá-la do mau, seus parentese vizinhos fizeram-na deitar-se sobre a mesa de madeira, da forma que só os mortos ficavam deitados. Naquela época, as pessoas colocavam-se ao redor da mesa velando o defunto ou compondo o rito da “simpatia”. Uma crença que, hoje, parece beirar o nonsense.
A mãe da criança, pessoa muito religiosa, ao escutar o choro incessante da sua filha, disposta sozinha sobre a mesa, mandou chamar o farmacêutico, profissional que se fazia, às vezes, de médico,  já que na cidade, naquela ocasião, só existia o Doutor Elias, porém, ele estava viajando.
O farmacêutico, ao chegar, começou o exame da pequena e, ao retirar a roupa da criança, qual não foi a surpresa de todos e desespero dos amigos e dos familiares ao verem que um enorme escorpião, provavelmente escondido nas gretas da madeira da mesa, cravou o seu ferrão bem no peito da criança.
Antes mesmo de o escorpião ser retirado, os olhos de Maria já haviam se fechado e o que era uma tentativa de cura tornara-se uma sentença de morte. Sem dúvida, uma cena de grande tristeza, uma criança sobre a mesa de madeira, velas acesas, choro e dor na madrugada fria na Rua Direita.
A mãe, com a medalha de Nossa Senhora da Graças nas mãos, rezava aflita, pedia o milagre que a filha voltasse a viver, crescer e encher de alegria os corredores do casarão junto com seus outros irmãos.
            Conta-se que, de repente, a criança começou a chorar, as velas se apagaram, as portas bateram e os clamores foram atendidos pelos céus. Maria voltara dos mortos.
Algumas pessoas chegaram às sacadas e, ao olharem em direção à Igreja da Sé, avistaram um clarão vindo do céu, de onde desciam anjos e a Virgem das Graças de mãos dadas com as três virgens proclamadas padroeiras da cidade: Nossa Senhora do Carmo, a Virgem Conceição e Nossa Senhora da Assunção.
Foi um espetáculo de grande beleza coroado ainda pela musicalidade do Hino de Mariana, escrito pelo morador e escritor solitário da Rua Direita, Dr.Alphonsus Guimaraens.
Ana, com lágrimas nos olhos e um grande sorriso nos lábios, conta que só quem viu pode acreditar, pois foi o maior milagre que o povo de Mariana já presenciou.
Essa narrativa demonstra a grande vocação religiosa dos moradores da nossa cidade, e foi por isso que resolvi compartilhar com você, caro leitor, esse surpreendente causo.

Jacqueline Antunes     
Professora e pedagoga.
Texto publicado no jornal O tempo dos Inconfidentes – 28/08/2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

BEM ACOMPANHADA


A vida é frenética na sociedade pós-moderna. Corremos para o trabalho, para o salão de beleza, para o banco e durante o percurso costumamos atropelar os clientes que estão na fila para chegar, logo, a nossa vez. Muitos correm até para a morte.
Falarei, um pouco, sobre o silêncio, a poesia e a literatura. Relatarei algo que me aconteceu em um consultório médico. Esperava a minha vez para uma consulta e aproveitei a pausa para terminar um livro de crônicas – Pés no chão da escritora que reside em Mariana, Andreia Donadon Leal – e sentir o silêncio que aquele ambiente exalava no final da tarde de uma segunda-feira.                   
    Neste horário, geralmente, eu, como muitos trabalhadores brasileiros, estaria numa correria desastrosa para chegar em casa. O único ônibus que circula na cidade passa abarrotado e a ida para o meu lugar de descanso é muito desgastante. Costumo chegar em casa e continuar a lida – corro para dar banho no meu filho,olho sua agenda de dever de casa, preparo o jantar, confiro se está tudo certo para a feira do dia seguinte, dou um olhar para o meu marido e checo os meus e-mails.
    Ufa! Que alívio estar ali, naquela sala confortável, viajando nas histórias de um livro. Eu lia e parava, por alguns momentos, para sorrir como um leitor que se apresenta como cúmplice da história. Ria do enredo que ecoava em minha mente como vozes, como se saíssem do meu espelho feminino, pois a autora escrevia sobre o que vivencio e critico. Em alguns momentos, eu me sentia como a personagem e em outros, como a escritora.
    A sala de espera é um lugar que gosto. Eu não tenho gozo pela doença, pelo contrário, mas aquela espera era uma pausa na correria do dia a dia.  Lembrar-me de que posso ter momentos de tranquilidade e de como é bom parar para sentir o prazer do silêncio e da leitura, já que, sempre, carrego comigo um livro na bolsa.
  Estava indo tudo muito bem, quando uma mulher que, também, esperava por sua consulta começou a reclamar da demora do médico e imaginando que eu iria concordar com ela me cutucou. Evitando ser deselegante, eu sorri e continuei a minha leitura. Passados alguns instantes, quando pensava que a vida era pleno silêncio e poesia, ela recomeça o seu discurso lamentoso sobre como é corrida a vida de uma dona de casa.
Sei de cor e salteado este discurso e naquele momento estava destinada a cuidar da minha saúde física, mental e emocional, afinal, estava na companhia de um livro e curtindo o grande prazer que a leitura me proporcionava. Olhei para aquela mulher com cara de nada! Já viram cara de nada? Eu não discordo com você, eu não concordo com você e eu não estou nem ligando para o seu papo. Fim.
     Não, não era o final, aquela moça não queria só falar da sua vida corrida. Ela queria ter alguém como cúmplice, ela esbravejou toda a sua história, sua insatisfação e me escolheu como ouvinte. Imagine se eu queria ouvir, naquela hora da noite, uma paciente a beira de um ataque de nervos. Levantei-me, peguei minha bolsa, meu livro, olhei para ela, sorri e saí.
    Fui para antessala, pois afinal havia chegado a hora da minha consulta e não havia me dado conta disso. Quando saí, ela estava pronta para entrar. Sorrimos uma para outra. Fiquei pensando: será que ela entendeu meu recado e colocou-se a sorrir e relaxar para prosseguir sua noite de forma mais leve e sem tanto estresse.
    Ao ler um livro, penso que sou um paciente conversando intimamente com o meu analista. Fica aqui uma dica para aqueles que na vida corrida fazem cenas de mau humor e falta de paciência.  A receita é simples! Carregue sempre um livro na bolsa e saia em boa companhia, esse pode ser um remédio infalível contra o tédio e o estresse.


Jacqueline Antunes -
Pedagoga e professora.

Texto publicado no jornal O Tempo dos Inconfidentes - 22/08/2012

sábado, 18 de agosto de 2012

CARA LIMPA



Domingo, o céu sem nenhuma nuvem e o sol aquecendo nossa alma na manhã de inverno. Ouro Preto, minha cidade natal, apresenta uma paisagem recortada pelo verde musgo das montanhas que vai de encontro ao azul do céu de agosto. A cidade guarda mistérios de amores, poder, tramas, traições e mortes. Não conhecemos toda a sua história, parte dela está velada por contradições e segredos; mas deixemos as questões históricas de lado e voltemos à nossa conversa.
Eu estava sentada no Adro da Igreja Nossa Senhora da Conceição, que fica no bairro Antônio Dias, onde havia marcado um encontro com a arte e a música afinada do Grupo Candongueiros.O grupo apresentava um requintado repertório – Caetano Veloso, Chico Buarque, Gonzaguinha, Beth Carvalho, Cartola, dentre outros.
Vão chegando conhecidos e amigos e se formando as rodas de samba e bate-papo.Eu levanto-me da escadaria e começo a dançar quando alguém me faz uma pergunta: “Você consegue dançar sem consumir bebida alcóolica?”.
Costumo dizer que dançar é como exorcizar todo o cansaço, é renovar as forças para a labuta que vem pela frente. Eu não estava bebendo. Gosto de vinho e cerveja, mas consumir bebida alcoólica não é um hábito. Parei, por um momento, e observei que eram poucas as pessoas que não estavam com um copo na mão, salvas as crianças.
Caro leitor, é comum o estranhamento de muitos ao se depararem comigo dançando descontraidamente de cara limpa. Se eu vou para o trabalho, educo meus filhos e ando pelas ruas de cara limpa, então, naturalmente, posso dançar de cara limpa. Eu não acredito que, para se divertir, ir para a noitada e participar de um cortejo, seja necessário usar subterfúgios.
Não estou fazendo um discurso careta e não sou a dona da verdade, como canta o poeta, Caetano Veloso: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é (...)”. Muitos só conseguem se descontrair quando consomem bebida alcóolica ou quando fazem uso do ópio para aliviar o constrangimento.
A vida é um carnaval de arlequins e de colombinas, de amores e de ódios, de acertos e de desacertos e neste compasso e descompasso, idas e voltas, vida e morte, nós vamos tecendo as nossas histórias. Vamos levantar poeira da hipocrisia, da ganancia, do poder autoritário e corruptível, da educação desmoralizada e da saúde precária para criar, sem muito blá, blá, blá, um novo bloco da segurança, da confiança e da democracia.  Devemos encarar as desventuras da vida com mais força, garra e fé para construirmos uma nova história.

Jacqueline Antunes -
pedagoga e professora.

Texto publicado no Jornal o Tempo dos Inconfidentes - 15/08/2012