quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

MARCA NA PELE




Na manhã de domingo, fomos em direção ao Planetário de Belo Horizonte, que fica em frente da Praça da Liberdade. Só faltavam três minutos para a sessão começar,quando fui alertada de que os professores pagam metade da entrada. Uma pena, eu insisto em me esquecer dos direitos dos professores (são tão poucos).
Meu filho com pressa de entrar no mundo mágico do espaço e eu, ali, remexendo na carteira para achar um comprovante da profissão que exerço. Não encontrei absolutamente nada, nem uma pista, nem um cartão do Ipsemg, nem um contra cheque, então, proclamei-me professora: -Tenho uma forma mais original de apresentar-me e comprovar a minha profissão.Toque na minha pele e se você for sensível sentirá a minha marca. Justifiquei.
Ela me olhava-me, possivelmente imaginado que estava diante de uma louca. Entrei no museu e pensei: - Para ser professor é preciso ter garra, presença forte, audácia e coragem, tudo isso é a nossa marca registrada. Milton Nascimento destacou a grande mania do professor em sua canção:"Mas é preciso ter manha. É preciso ter graça. É preciso ter sonho sempre. Quem trás na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida".
O mês de janeiro está chegando ao fim e vamos caminhando para o mês de fevereiro. É chegada a hora de colocarmos as mochilas nas costas e voltarmos para a escola. É Tempo de criança na escola, romaria daqueles que trazem na bagagem o conhecimento prévio e condensado do mundo que os cerca. Chegam ávidos, sentidos despertos, emoções à flor da pele para sentir e indagar o novo mundo que circunda no espaço escolar.
Remeto-me a outra canção de Milton Nascimento para celebrar o encontro entre alunos e professores: “Mas renova-se a esperança. Nova aurora a cada dia. E há que se cuidar do broto. Para que a vida nos dê flor e fruto”. Vamos arregaçar as mangas professores! Um novo dia amanhece na história da educação brasileira. Suspirem fundo, tenham foco, fé e determinação para a nova jornada.

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 30/12/2013

sábado, 22 de dezembro de 2012

QUE O ANO NOVO VENHA COM ESPERANÇA!



Fim de mais um ano. O que foi feito fica na memória ou é descartado.O que aconteceu na vida pública? Quais as melhorias alcançadas no âmbito da educação, da saúde e da ciência? O que os homens que sentam nas cadeiras dos poderes políticos mundiais realizaram? Quais foram as mediadas e atitudes que eles tomaram para um mundo de paz e igualdade? O importante entrará para a história, pois fatos foram descobertos, alguns se estabeleceram e outros se diluíram.
O planeta está enfraquecido do acreditar. Recorro a uma história dos céus para que a sua mensagem ilumine as pessoas em tempo de Natal, momento em que todos nós estamos mais susceptíveis ao sentimento de compaixão. Deixemos o lado cinzento do não acreditar de lado e busquemos o lado otimista da vida, promovendo atitudes que despontem realizações e mudanças positivas na vida de cada um de nós.
Conta a lenda que no céu existiam várias estrelas, elas desejavam descer à Terra. Deus as chamou e indagou: Por que vocês ainda querem habitar um planeta que está tão desgastado de sentimentos nobres e com os valores tão invertidos?Ele já sabia a resposta, mas ouviu-as listar as necessidades do planeta. As estrelas do amor, do perdão, da caridade, da ética, da moral e da amizade desceram formando pontes de luz para iluminar os homens na Terra. Rodearam bares, escolas, prostíbulos, casas familiares, becos, ruas, avenidas...
 Um dia resolveram voltar. Acreditando que deixaram suas marcas nas pessoas que estavam abertas às mudanças. Deus olhou para cada uma delas e sentiu falta da esperança. Perguntou, fingindo ingenuidade: Qual estrela ficou na Terra? A estrela do amor logo respondeu: Ficou a esperança. Decidimos, em assembleia, que ela é a estrela que a Terra mais precisa.
Um ano finda e outro ano desponta, que a esperança brilhe na razão e na emoção de cada povo num acordo equilibrado com a paz.Que a igualdade e a verdadeira inclusão marquem todos os territórios e que o homem possa, efetivamente, promover a igualdade e viver em união, independentemente de raça, de credo, de sexo, de cor. Feliz Ano Novo a todos nós!

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O tempo dos Inconfidentes - 19/12/2012

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

QUEM SE LEMBRA DO ESPÍRITO NATALINO?




Sábado, entro no transporte coletivo que circula na cidade de Mariana e percebo um movimento fora do normal. Há um tempo, relatei uma série de problemas acerca do transporte coletivo em um texto publicado neste jornal. Será que, neste intervalo de tempo, aconteceram melhorias que beneficiaram os usuários deste serviço. Eu uso o transporte coletivo diariamente e, particularmente, não notei nenhuma mudança positiva. Voltemos ao ônibus lotado de pessoas com eu, cidadãos que têm um salário baixo e uma árdua rotina diária. Ao olhar pela janela, vejo as ruas cheias e os comércios abarrotados.
Em meio a um trânsito infernal, chego ao meu destino e lembro-me que o número incomum de pessoas nas lojas está relacionado com a chegada do Natal. O espírito natalino está mais ligado ao “bom velhinho”, de barbas brancas e roupas escarlates do que ao nascimento de Jesus. Será que o Pai Noel não é o Filho, Pai ou compadre do sistema capitalista que nos faz consumir desenfreadamente?
No momento das compras o sujeito ganha um grande poder ilusório, consumir para saciar desejos infundados dá às pessoas uma sensação de satisfação momentânea. É aí que mora o perigo. Caro leitor, passado o Natal vem as promessas do Ano Novo, as festas, as férias e mais gastos. Carnaval é uma loucura total, ninguém pensa em coisas sérias, só querem saber de folia; mas, inevitavelmente, chega Março.
O Congresso abre suas portas, meio apático, para o trabalho; pois, depois um recesso tão prolongado, é preciso que o povo seja paciente até que os políticos ajeitem suas musculaturas. Finalmente “inicia-se” o ano no Brasil. A realidade vai caindo de paraquedas na cabeça do sujeito endividado, que não consegue mais dormir sossegado. O bom velhinho não retorna e, agora, o seu fiel companheiro são suas dívidas, que estão fervilhando os seus pensamentos. Ele olha para o céu e pede a Jesus que brilhe na sua vida, pois se esqueceu de voltar seus olhos para as luzes no Natal e celebrar o nascimento de Cristo.
O tempo passa, o ano transcorre, chega o final do ano e você acha que as pessoas se lembrarão do sufoco e das dívidas do ano anterior? Posso apostar que muitas esquecerão e repetirão o mesmo processo, que se torna um ciclo vicioso em suas vidas. Parece-me que faz parte da cultura do brasileiro esquecer-se dos dramas vividos, não aprendendo a lição e seguindo sempre o mesmo caminho, iludidos pela falsa satisfação e por acharem que mais vale uma dívida na mão do que o objeto cobiçado voando.

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto  publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 12/12/2012

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A VIDA É FEITA DE ATITUDES


Sou uma usuária do facebook e nessa rede social posto mensagens diariamente para amigos que partilham comigo esse instrumento de comunicação. Um espaço onde as pessoas publicam, curtem e compartilham ideias; entretêm-se, ouvem músicas, brincam e discutem temas diversos.
Eu criei um conceito chamado Blá,Blá,Blá,Blú,Blú,Blú, que se refere a tudo que o sujeito fala e sugere as outras pessoas e na realidade não pratica. Existe uma divergência entre a imagem que é criada no mundo virtual e a realidade; entre o fazer e o dizer existe uma diferença gigantesca. As falas e os atos das pessoas devem estar na mesma direção, pois se forem contraditórios, você estará criando uma mentira, estará mascarando a realidade.
O homem, muitas vezes, usa máscaras como defesa, é uma estratégia que talvez facilite o nosso dia a dia.Quem nunca usou máscaras? Não estou falando das máscaras da Grécia, que os atores utilizavam para interpretar um personagem, tais enfeites eram denominados personas. Em Veneza, a nobreza fazia uso das máscaras para se disfarçar e misturarem-se ao povo durante as festividades.
Não acredito em verdades absolutas e nem em pessoas por demais verdadeiras, pois o que é verdade hoje, pode não ser verdade amanhã ou o que é verdade para você, pode não ser para mim. Cada sujeito tem sua forma singular de ver o mundo.
Chegamos ao último mês do ano, ainda é tempo de pararmos para fazer um balanço, nos voltarmos para dentro de nós mesmos e avaliarmos nossas vidas pessoal, profissional e revermos se realmente cumprimos o nosso papel de cidadãos.O que você fez em 2012? Realizou muitos sonhos, ou ficou esperando que as coisas caíssem do céu?Pensou na coletividade ou enterrou o umbigo na sua individualidade? Procurou fazer as coisas da maneira que prega, seus atos foram condizentes com o que acredita ou apenas ficou no BláBláBláBláBlúBlú?
A vida é feita de fazer, prover, curtir, brincar, sonhar e é nesse movimento que as pessoas criam o cenário da sua história. Não vivemos sozinhos, estamos interligados por redes de convivências, sejam elas no cotidiano da vida real, sejam elas nas redes sociais. Devemos buscar uma relação de respeito em cada atitude, precisamos deixar o Blá,Blá,Blá,Blú,Blú, Blú e vivermos de modo mais coerente e mais equilibrado.

Jacqueline Antunes,
Pedagoga e professora.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

CIDADÃO, SUBA AS ESCADAS DO PODER


Na semana que passou, fiz uma visita à Câmara Municipal de Mariana e entre votações de projetos e alguns disparos de palavras soltas e ácidas, a voz dos vereadores ecoa na Câmara. O Poder Legislativo Municipal é exercido pela Câmara de vereadores, que em conjunto com o Poder Executivo, forma o governo Municipal, em respeito ao princípio de independência e harmonia dos poderes segundo artigo 2º da Constituição Federal.
É dever dos vereadores fazer uma ponte entre o prefeito e a sociedade civil. Os vereadores elaboram as leis que são competências do município, votam as leis que são propostas pelo Executivo, fiscalizam a atuação do prefeito; devem zelar pelo bom desempenho do Executivo e verificar as prestações dos gastos públicos. Chegou a hora e a vez da sociedade civil empenhar esforços para se fazer presente na Câmara, acompanhando e opinando sobre as propostas, os projetos e as ações que acontecem no município. O cidadão também possui voz e não deve calá-la. Esse movimento precisa ser feito com ética e responsabilidade. Deve-se respeitar às diversas opiniões e priorizar os interesses da coletividade. Não há espaço para o individualismo, para idéias que visem aos interesses dos grupos fechados. Jogos de palavras, acusações, demagogias e discursos contraditórios não resolvem questões e não promovem decisões para o bem comum.
A Democracia surgiu na Grécia Antiga e só, no século XX, passou a ser tida como predominante no mundo. Democracia é um sistema em que as pessoas de um país podem e devem participar da vida política, em que elas possuem liberdade de expressão e manifestam suas opiniões. É quando a vontade da maioria é lei. Será que somos um país que vivencia a democracia? Como será que a democracia acontece no país e no nosso município? Será que pouco mudou e que ainda vivemos em uma sociedade onde o poder é centralizado?
Para haver Democracia, o ESTADO DE DIREITO precisa funcionar e para que isso aconteça, nenhum cidadão comum ou pessoa do poder público deve estar acima da lei. Um país democrático cumpre suas leis. Será que as leis são cumpridas no Brasil e nas montanhas da cidade de Mariana? Conclamemos que se cumpram as leis, pelo exercício da democracia e da cidadania. Não deixo morrer em mim a esperança de que a ética, a verdade e a justiça prevaleçam no poder público e de que a sociedade civil e os governantes alcancem os mesmos objetivos ao transportarem o olhar além dos próprios interesses e vislumbrarem a causa do bem estar coletivo. Assim seja!
Jacqueline Antunes - Professora e Pedagoga

Texto publicado no Jornal O tempo dos Inconfidentes – 28/11/2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

VOCÊ TEM MEDO DE QUE?


Em meio a uma brincadeira na praça, ouço alguém dizer a uma criança: – Você não pode correr sozinha por aí, porque o homem do saco vai lhe pegar.
O medo nos acompanha desde a mais tenra idade, a literatura infantil nos mostra, através dos seus enredos, que podemos superá-lo com coragem e determinação. As histórias colaboram para compreendermos que a vida é uma luta contínua do bem e do mal e que, como na maioria desses clássicos infantis, é possível superar todos os inimigos e percalços que enfrentamos na caminhada diária.
Contar e ouvir histórias infantis são um ato prazeroso, pois alimenta a vida interior das pessoas, fazendo com que a fantasia promova a esperança, minimizando questões que afligem o homem no mais íntimo do seu ser. Sentir medo tem seu lado saudável, a espécie humana não teria sobrevivido aos predadores e aos perigos sem ele. O medo é um mecanismo de alerta que nos fortalece, estabelecendo limites e desenvolvendo mecanismos de defesa.
Será que o medo é imposto? Quando a mãe diz ao filho que se ele “pecar” o homem do saco vem para levá-lo, pode ser considerado um medo “saudável”? Será que o homem do saco não representaria Deus e o saco representaria o inferno? Na história das civilizações existem marcas desse medo, reporto-me aos tempos da Idade Média, quando os homens da igreja exaltavam os princípios cristãos e a necessidade de estarem preparadas para o Juízo Final. O importante para o homem medieval era morrer sem pecado, porque só assim ele iria para o paraíso sem medo, com a alma pura. Os temores pelos fenômenos desconhecidos e incontroláveis eram amenizados pela fé.
Como o homem se apresenta no mundo hoje em relação aos seus medos? Será que o medo não está tomando proporções inadequadas? Somos dotados de humanidade, não somos seres perfeitos, pois cometemos erros e acertos, temos dúvidas e, muitas vezes, somos impedidos de prosseguir pelos nossos temores. Que o homem do saco, que pega a criança para fazer mingau, não ganhe força em proporções descabidas. Que tenhamos coragem e perseverança para enfrentarmos as dificuldades e lutarmos pelos nossos sonhos, para vivermos os dois lados da moeda, a dualidade da vida: o bem e o mal. Eu agradeço aos céus o humano que habita em mim, pois a luz só brilha diante da escuridão.

Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes -  20/22/2012 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

VIDA E MORTE


Sábado pela manhã, feriado de Finados, uma chuvinha fina cai na vidraça da minha casa, nessa calmaria, coloco-me a pensar em temas como Vida e Morte. Sabemos que o processo natural da vida é este: nascer, viver e morrer. Pronto, simples e real. Indago como todo homem que saiu da caverna (Remeto-me aqui ao mito da caverna de Platão, que é a exemplificação de como, através da luz da verdade, podemos nos libertar e sair da escuridão.) vive (Será mesmo que saímos da caverna?) questionando e criticando.
Morte, palavra densa. O que é morrer? Morrer é o ponto final, onde tudo acaba? Ou é quando deixo a roupagem carnal e lanço-me à viagem da renovação do espírito no mundo espiritual? Será a morte o misterioso caminho que me leva a desnudar-me ao encontro de mim mesma? Ou será sair das amarras da ignorância e sofrer o absoluto absurdo do conhecimento?
Reporto-me à parábola da Águia que viveu até os 70 anos, mas aos 40, quando se sentiu cansada, com as penas velhas, as unhas longas e fracas para agarrar as suas presas, ela foi para um ninho perto de uma montanha e lá arrancou seu o bico, esperou que crescesse e com ele arrancou as suas unhas, aguardou mais um pouco até que elas crescessem e com suas novas garras retirou suas asas e quando elas renovaram-se saiu para viver mais 30 anos. Na verdade ela viveu um tormentoso e necessário processo de renovação que durou 150 dias. Retirou o que era velho e ultrapassado, renovou-se e saiu pelo mundo forte, leve, graciosa e tolerante; pronta para entender que a vida é feita de alegrias, mas, também, de percalços.
Vida é o contrário da morte? A vida é oportunidade, é como uma folha de papel em branco, onde a cada dia traçamos nossa história. Viver é estar presente, pulsar, respirar; é pele latente nos caminhos da existência; é ser feliz, trabalhar em busca do alimento de cada dia, tropeçar, cair e levantar.
Existem, por aí, sujeitos que não conseguem ver a vida como uma "metamorfose ambulante" e que morrem sem desfrutar dos seus prazeres. A vida não é para ser perfeita e, sim, para ser vivida. Viver a mesmice, pensar que a vida é uma mala pronta que não pode ser desarrumada, não é vida e, sim, morte.
Levante, dance, trabalhe, brinque, ouse, leia, silencie, cale, durma, coma, beba e, quando a morte “bater na sua porta”, que sua vida tenha sido repleta de boas lembranças e que você tenha marcado a história. Bom Feriado de Finados a todos! Vou molhar-me na chuvinha fresca e brincar como criança, pois não sou de ferro para curtir o tédio melancólico de olhar a janela e ver a vida passar sem fazer algo diferente do que faço todo dia.
Jacqueline Antunes,
pedagoga e professora.
Texto publicado no Jornal O Tempo dos Inconfidentes - 07/11/2012